Egípcios concentram ressentimento em aliado de filho de Mubarak

Magnata Ahmed Ezz é confidente de Gamal Mubarak e símbolo da riqueza adquirida pelos politicamente poderosos no Egito

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Conforme os egípcios voltaram sua ira aos símbolos do Estado no mês passado, incendiando delegacias de polícia, juntamente com a sede do partido do presidente Hosni Mubarak, eles reservaram um ódio especial a um edifício vistoso, de vidros pretos, em um bairro de luxo da capital, incendiando-o três vezes. O prédio pertence a um magnata do aço e privilegiado do partido no poder chamado Ahmed Ezz, um amigo próximo e confidente do filho de Mubarak, Gamal.

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Manifestantes incendeiam carro em meio a protestos no Cairo, Egito (28/1/2011)
Por muitos anos, Ezz representou a intersecção entre dinheiro, política e poder, controlando dois terços do mercado do aço, liderando o comitê de orçamento como membro do Parlamento e servindo como oficial e tenente leal ao partido governista.

O ressentimento público com a riqueza adquirida pelos politicamente poderosos ajudou a impulsionar o levante que já está remodelando o poder ao longo do Nilo.

O mundo de Ezz tem se desfeito. Ele é tratado como um risco por uma velha guarda que busca resguardar a si própria da ira dos manifestantes. Ele está sob investigação por suspeita de corrupção. Seus ativos foram congelados e seu direito de viajar, removido.

Ele negou as acusações de corrupção no passado e, no domingo, seu paradeiro era desconhecido. Agora, seu nome faz parte dos gritos de guerra na praça Tahrir como um símbolo de tudo o que estava errado com o governo de Mubarak. "Ahmed Ezz suga o sangue do povo", gritou Osama Mohamed Afifi, um estudante presente na manifestação no domingo.

Riqueza e poder político

O Egito de Hosni Mubarak há muito tempo funciona como um Estado onde a riqueza compra o poder político e o poder político compra uma grande riqueza.

Embora os fatos sejam difíceis de se encontrar, os egípcios que observam o surgimento de uma classe endinheirada acreditam amplamente que o capitalismo para proveito próprio, a camaradagem e a corrupção são endêmicos no país, representados por um grupo de ricos empresários alinhados com Gamal Mubarak, filho do presidente, bem como ministros do governo e membros do partido governante.

"As pessoas ao redor de Gamal tornaram-se o mais rico grupo no país", observou Hala Mustafa, cientista político que abandonou o partido há anos dizendo que não havia comprometimento com uma reforma política.

Agora, Ezz e outros oficiais estão "sendo oferecidos ao público" como "bodes expiatórios", disse Samer Shehata, professor de política árabe da Universidade de Georgetown que entrevistou Ezz. "O Partido Nacional Democrático (PND) é um grupo de interesses individuais e financeiros mascarado como uma organização política", acrescentou. "Há pouca diferença entre Ahmed Ezz e Gamal Mubarak".

*Por Kareem Fahim, Michael Slackman e David Rohde

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