Editorial: Washington deve reverter lei que proíbe gays nas Forças Armadas

A recusa da Suprema Corte em ouvir esta semana um desafio à lei que proíbe homossexuais nas Forças Armadas não passa de um atraso legal. A corte não lidou com os méritos do caso, mas outra ação ainda em andamento pode ser um veículo ainda melhor para desafiar esta regra incivilizada.

The New York Times |

Ainda assim, depender de uma corte conservadora para fazer as mudanças certas seria uma aposta alta. Mas infelizmente nem o presidente Barack Obama nem o Congresso mostram apetite para acabar com uma proibição que não é apenas injusta com os homens e mulheres homossexuais, mas também prejudica as Forças Armadas.

A política "não questione, não diga" foi estabelecida em 1993 como um compromisso depois que o presidente Bill Clinton fracassou em sua tentativa de reverter a proibição existente. O estranho compromisso limita as a habilidade dos militares de questionar membros das forças sobre sua orientação sexual (não questione) e permite que os homossexuais sirvam desde que mantenham discrição sobre sua orientação sexual (não diga) e não cometam atos homossexuais.

A ostensiva ideia por trás disso é que a presença de gays e lésbicas prejudicaria a moral e a coesão das unidades, mas no final, a política causou mais danos ao preparo militar. Milhares de membros foram dispensados de serviço em um momento no qual as forças estão no seu limite por causa das guerras no Iraque e Afeganistão. A perda de intérpretes e analistas de inteligência altamente qualificados foi especialmente prejudicial.

Obama afirmou durante a campanha que iria reverter a proibição, mas não fez nada além de pedir que o Pentágono acesse as implicações disso. Líderes militares parecem frios em relação ao fim da proibição, mas esperamos que façam um trabalho justo e honesto quando necessário. Membros das Forças Armadas e do público geral estão muito mais receptivos à ideia de aceitar gays do que eram em 1993.

Defensores dos soldados gays acreditam que a gestão, sozinha, tem a autoridade para evitar a dispensa de homossexuais, talvez emitindo ordens de "pare com a perda" como as que foram usadas para soldados que serviam além de seu tempo no Iraque - muitos contra sua vontade. Esta seria a melhor forma de evitar a perda de membros homossexuais dispostos a continuar em serviço.

Obama deve considerar se há alguma ação que ele pode adotar enquanto espera pela análise dos militares. Mas, no final, será responsabilidade do Congresso reverter a lei que trouxe consigo o "não pergunte, não diga".

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