Editorial: Wall Street vive normalidade aparente e assustadora

Por Eduardo Porter NOVA YORK - Eu fui até Wall Street na tarde de segunda-feira para ver de perto as agonias do mundo financeiro inspirado no capitalismo americano, mas ao observar as fileiras de ternos marchando de forma sombria pela rua fui surpreendido pela normalidade da cena.

The New York Times |

Acordo Ortográfico Notícias de que o pacote de resgate de US$700 bilhões da gestão Bush havia sido derrubado na Casa dos Representantes pareceu gerar alguma comoção em torno da Bolsa de Valores de Nova York. Um casal ostentava cartazes que diziam que "O Capitalismo Morreu" e sugeriam que "A Revolução do Proletariado é a Solução".

Um homem grande e barbado vestindo roupão verde e touca de lã que se auto intitulava o "mensageiro" de Deus falava para uma dezena de pessoas que esperavam por colegas na escadaria do Hall do Memorial Nacional Federal, apontando para um hambúrguer que recuperou do lixo como prova da falha da moral americana.

Na esquina com a Broadway, um homem de luvas de boxe e chapéu desafiava as multidões a caminho de Wall Street enquanto equilibrava um pedaço de melancia sobre a cabeça. "Eu não sou democrata. Eu não sou republicano. Eu sou americano", ele disse, acrescentando algo sobre fumar, beber e o Google.  Eu ouvi um homem bem vestido confessar ao telefone: "Sinto muito se não lhe disse para comprar ações".

Eu não tenho certeza do que esperava encontrar na minha peregrinação.

Quem sabe o que esperar de um financista que acaba de ver Dow cair 777 pontos? Mas certamente eu não esperava uma cena similar a qualquer outra de uma rua movimentada de Manhattan por volta das 17h. Na verdade, o que mais me marcou foi a quantidade de câmeras de TV e as hordas de turistas tirando fotos do que, eu presumo, achavam ser um momento histórico.

Eu não sei o que pensar sobre a normalidade dessa comoção. A crise financeira que atinge o mundo ainda pode fazer muito. De Wall Street a Main Street, ela ameaça colocar a economia mundial em recessão e há uma grande chance de que o mundo depois dessa crise seja diferente daquele que conhecemos.

Mas a sensação de caos comum me impressionou por revelar que muitas conversas podem acontecer ao mesmo tempo. E todas acontecem aqui.

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