Editorial - Visita de novo primeiro-ministro deve melhorar relacionamento entre EUA e Paquistão

O novo primeiro-ministro civil do Paquistão, Yousaf Raza Gilani, está em Washington essa semana para uma difícil rodada de reuniões.

The New York Times |

O povo de Gilani ressente os Estados Unidos por terem financiado e apoiado seu ex-ditador, Pervez Musharraf. O presidente Bush, que coordenou esse apoio, deve ter suas próprias dúvidas sobre a disposição de Gilani em combater as forças do Taleban e Al-Qaeda que usam o Paquistão como porto seguro.

Por isso, Bush precisa usar essa visita para melhorar o relacionamento entre os países  (deixando claro que está comprometido a fortalecer a democracia do Paquistão e sua habilidade de combater o extremismo). Isso exigirá muito mais assistência econômica e uma ajuda militar mais cuidadosamente monitorada.

De sua parte, os líderes civis paquistaneses precisam apresentar um governo honesto e eficaz. Eles precisam dizer a seus eleitores que o extremismo também ameaça o Paquistão (e que essa não é uma luta apenas da América).

O governo também precisa encontrar novas formas de impor sua autoridade em regiões tribais, ao fornecer melhores serviços sociais, promovendo desenvolvimento econômico e trabalhando em conjunto com os líderes tribais. Além disso, precisam enviar mais tropas de elite treinadas contra insurgência para lidar com a Al-Qaeda e o Taleban.

Ambos os lados seriam mais capazes de conquistar esses objetivos se o Congresso aprovasse a lei apresentada esse mês pelos senadores Joseph Biden e Richard Lugar, que oferece uma substancial ajuda econômica a longo prazo ao Paquistão e maior monitoramento da assistência militar americana. A Casa Branca precisa dar a essa iniciativa bipartidária seu apoio.

O desequilíbrio que busca remediar entre o ostensiva ajuda militar e a fraca assistência econômica foi ressaltada na recente disputa congressional sobre quem pagaria pela modernização de aviões de caça paquistaneses.

O modernizado F-16 é um avião de alta tecnologia, destinado principalmente a desencorajar a Índia e sua fraca operação contra-insurgência na fronteira com o Paquistão. O plano original era que o Paquistão pagasse US$ 230 milhões ao ano. Mas agora a Casa Branca e Gilani querem que o Congresso acerte a conta.

Gilani está disposto a manter os militares paquistaneses felizes (o novo comandante do exército, o general Ashfaq Parvez Kayani, é um profissional que sempre apoiou a transição do poder aos civis). Se Washington pagar, em teoria também liberaria milhões necessários para gastos sociais.

Se gasto com sabedoria, esse dinheiro pode significar muito. Um programa que controla e previne o contágio da hepatite B pode custar cerca de US$100 milhões. Uma rede de laboratórios na saúde pública pode ser criada por US$30 milhões.

Sob as fórmulas atuais de ajuda, Washington pode pagar pela melhoria nos F-16 simplesmente mudando o fornecimento de fundos dos equipamentos mais adequados para combater o Taleban. O Paquistão precisa de mais equipamentos desse tipo (não menos) incluindo helicópteros Cobra e óculos de visão noturna.

O Paquistão não deveria se preocupar em modernizar F-16 agora, mas esse acordo foi feito há muito tempo. O Congresso deveria manter a direção e aprovar o dinheiro dos F-16 para esse ano, mais fundos adicionais de emergência para os helicópteros e óculos. Então deveria rapidamente por em vigor a lei Biden-Lugar.

Dessa forma, o Paquistão terá financiamento confiável para futuros programas sociais e seria capaz de concentrar a ajuda militar americana no contraterrorismo. A solução não é perfeita, mas pode ajudar a melhorar o relacionamento entre os países (para um relacionamento que promova a democracia e combata a Al-Qaeda).

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