Editorial: Violência contra povo iraniano ressalta ilegitimidade do governo

Analisar o comportamento do governo iraniano leva a apenas uma conclusão: ele tem medo de seu próprio povo. Observar a coragem das centenas de milhares de manifestantes que tomaram as ruas gera apenas admiração e temor por sua segurança.

The New York Times |

As autoridades governamentais atropelaram o resultado da eleição presidencial da semana passada - declarando o atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad, vencedor com ampla margem de votos antes mesmo que houvesse tempo para que eles fossem contabilizados. Agora eles ameaçam e matam manifestantes, prendem líderes da oposição, tentam impedir o trabalho dos jornalistas e culpam a todos menos a si mesmos.

Felizmente, muitas das mesmas pessoas que fomentaram a revolução de 1979 com o que na época era tecnologia avançada (discursos gravados pelo Aiatolá Ruhollah Khomeini) estão sendo prejudicados pelo Twitter e pela internet . Enquanto as autoridades tentam bloquear as comunicações, os iranianos se tornaram hábeis em usar outros websites para publicar vídeos no YouTube para que a mensagem chegue ao mundo.

Na quarta-feira, milhares de iranianos saíram novamente às ruas protestando em silêncio contra o resultado falso das eleições. Mir Hossein Mousavi , principal rival de Ahmadinejad, pediu protestos mais pacíficos na quinta-feira em homenagem às pessoas que morreram nos tumultos.

O Conselho dos Guardiões (que supervisiona as eleições) tentou pacificar a oposição oferecendo a recontagem de votos em alguns distritos. Este foi um gesto cínico não apenas porque as autoridades deixaram claro que a recontagem não muda o resultado final. Mesmo uma recontagem total seria suspeita. Como pode alguém ter certeza que as cédulas são válidas?

Mais violência contra o povo iraniano irá apenas ressaltar a ilegitimidade do governo e seu desespero.

Se as autoridades querem resolver este impasse pacificamente (este tem que ser o objetivo) elas precisam pedir uma nova eleição, monitorada por observadores independentes. Antes do resultado ser prematuramente declarado na semana passada, um segundo turno era esperado entre Ahmadinejad e Mousavi.

Como primeiro passo, as autoridades devem estabelecer comissões representando dos principais candidatos para analisar as informações eleitorais e determinar em conjunto uma forma segura de seguir adiante.

Enquanto isso, em Washington há quem reclame que o presidente Obama não tem sido duro o suficiente em suas críticas ao governo iraniano. Ele pode ter que falar mais nos próximos dias. Mas dado sua história com o Irã, os Estados Unidos devem tomar cuidados especiais para não parecer que interferem no país. Isso apenas daria aos conservadores do Irã mais desculpas para culpar os Estados Unidos por seu vergonhoso fracasso.

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