Editorial: Verdade sobre o etanol depende da imparcialidade de agência ambiental dos EUA

Uma das provisões mais ambiciosas da lei sobre energia (o mandato do etanol) se mostrou a mais problemática. A provisão encorajaria um aumento na produção do etanol dos mais de 7 bilhões de galões de hoje para 36 bilhões de galões até 2022. Em termos práticos, isso significa duplicar a produção de etanol a partir do milho até que se invente outras formas mais avançadas do biocombustível.

The New York Times |

Acordo Ortográfico

O etanol de milho sofreu inúmeros ataques este ano com o surgimento de evidências de que o desvio de colheitas para a fabricação do  combustível contribuíram para o aumento no preço dos alimentos. O que ainda não está claro é se o etanol é bom ou não para o planeta - se  irá emitir menos ou mais gases causadores do efeito estufa do que a  gasolina convencional. A resposta depende de como se mede as emissões.

O Congresso estipulou que o etanol é mais limpo que a gasolina e  entregou o trabalho de medir suas emissões à Agência de Proteção  Ambiental, que se viu sob feroz pressão. A indústria do etanol quer  que seu produto seja visto da melhor forma possível. Os ambientalistas querem as informações honestas que o público merece, mas não  acreditam que a protecionista gestão Bush é capaz de oferecê-las.

A questão mais disputada envolve as emissões causadas pelas mudanças diretas e indiretas no uso da terra associada ao crescimento dos biocombustíveis. Até o final do ano passado, o etanol do milho era  visto como tendo neutralizado suas emissões de carbono (e assim muito mais limpo do que a gasolina) porque os gases causadores do efeito estufa absorvidos no seu plantio cancelam os gases emitidos durante a combustão.

Isso faz dele um combustível bom em todos os aspectos porque também encoraja a construção de refinarias de etanol no coração da América, até certo ponto, eliminando a dependência do petróleo estrangeiro.

Mas então novos estudos argumentaram que os primeiros indícios não  levaram em conta as emissões causadas quando a terra é limpa e  preparada, lançando grandes quantidades de carbono armazenado.
Particularmente, segundo os estudos, os cenários iniciais não  observaram os terríveis fatores indiretos da produção de etanol - o  carbono emitido quando a mudança nas colheitas do Cinturão do Milho  fazem com que fazendeiros de outras partes do mundo usem terras antes virgens para compensar a perda.

Os estudos também dizem que alguns biocombustíveis (lixos orgânicos,  resíduos florestais, alguns tipos de grama) podem ser produzidos sem  mudanças prejudiciais no uso da terra e para benefício da atmosfera. Mas os efeitos indiretos da conversão de colheitas de alimentos para a produção de combustível causaram aumento bruto na emissão em quase todos os casos.

A indústria diz que tais efeitos indiretos são impossíveis de se medir e que os estudos são prematuros. Um grupo pediu que a agência ignore-os completamente. Mas parece claro que que algumas mudanças no  uso da terra (como a substituição de florestas tropicais por
plantações) teriam efeitos negativos.

Em todo caso, é o dever da APA sob a lei prestar as informações mais  imparciais que puder. A questão aqui é o futuro do planeta, não de  apenas um setor industrial.

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