Editorial - Uma verdadeira história de pescador

Aqui está uma história de pescador incomum. Mas positiva. Na quinta-feira, Gary Locke, secretário do Comércio, aprovou um plano que proibiria a pesca comercial em uma grande área de águas americanas, no Ártico. Na verdade, ela nunca foi usada para pesca e, por enquanto, ninguém tem interesse em pescar no local.

The New York Times |

Isso parece estranho, mas é uma ação esperta baseando-se na hipótese de que o rápido derretimento das calotas polares do Ártico, causado pelas mudanças climáticas, um dia tornará a área muito mais acessível e interessante para o comércio.

Essa também foi a primeira vez que os EUA proibiram a pesca por causa de mudanças climáticas, ao invés de pesca excessiva. O objetivo de Locke é conseguir tempo para melhorar os recursos da área e desenvolver um plano de pesca sustentável, que garantiria a proteção prolongada de um sistema frágil e pouco compreendido.

O plano foi desenvolvimento por ambientalistas e a Aliança de Conservação da Marinha, uma parceria entre agricultores e processadores. Ambientalistas e a indústria normalmente não concordam com o quão rápido o peixe deveria ser tirados o mar. Aqui, eles concordaram em não tirar nada ¿ até que pareça seguro fazê-lo.

A cobertura proíbe quase 200 mil metros quadrados ao norte do estreito de Bering. Acredita-se que essas águas são cheias de bacalhau e caranguejo, entre outras espécies. No tempo certo, elas poderiam fornecer um novo habitat para espécies de águas frias como o escamudo (espécie de bacalhau) e o salmão, que com o aquecimento da temperatura da água onde vivem normalmente, mais ao sul, estão se mudando para o norte.

A esperança no Alasca e em Washington é que o plano mostre sinais a outros países do Ártico ¿ incluindo Rússia, Canadá e Dinamarca ¿ que também estão percebendo a existência de grandes recursos potenciais no derretimento das calotas do Ártico. Os peixes migram por longas distâncias e pouco se preocupam com fronteiras internacionais. No final das contas, é a cooperação internacional que terá de protegê-los.

Fechar as águas americanas mostra ao mundo que os EUA estão colocando ordem na casa, até que a ciência determine se a pesca pode ser permitida de uma maneira responsável e sustentável.

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