Editorial - Uma surpresa de Natal e os motivos para otimismo

Há quarenta anos nesta quarta-feira, a equipe da Apollo 8 deu ao planeta o que o editorial do The New York Times chamou de um presente de Natal enobrecedor.

The New York Times |

NYT
Imagens do espaço enviadas por astronautas do Apollo 8
Imagem da terra vista da lua


Os astronautas (Frank Borman, James A. Lovell Jr. e William A. Anders) orbitaram a Lua, enviando imagens para casa em duas transmissões ao vivo, uma pela manhã e outra pela tarde. Eles leram os primeiros versos do Genesis, depois desligaram. "Adeus. Boa Noite", disse Borman. "Feliz Natal. Deus abençoe todos vocês na boa Terra."

Muito foi feito com a consolação pontual que as transmissões deram no final de uma horrível guerra. Do Vietnã ao Oriente Médio e às ruas de paris, da Cidade do México e por todos os Estados Unidos, a vista era sangrenta e desoladora. Mas não a vista de longe.

"Ver a Terra como ela realmente é", escreveu Archibald Macleish na primeira página do jornal, "pequena e linda do perpétuo silêncio por onde flutua, é como ver a nós mesmos como cavaleiros sobre ela, juntos e irmãos em sua adorável beleza neste eterno azul(irmãos que sabem que são irmãos)".

Ah, o otimismo. Essa página transmitiu paixão ao comparar o Apollo 8 com as descobertas do fogo e da roda. Nosso editorial previu o pouso na Lua em 1969, então a construção de bases lunares que seriam o ponto inicial para viagens interplanetárias, "mesmo até o distante Plutão".

As coisas não funcionaram assim. Os humanos melhoraram suas ações com aeronaves não tripuladas, é claro, enviando naves de reconhecimento muito além de Plutão. Mas as aeronaves tripuladas rapidamente seguiram para um beco sem saída, com um ônibus espacial fazendo viagens até um estacionamento orbital a cerca de 387 km da Terra. (A viagem do Apollo 8 à Lua foi de 387 km cada trecho).

Guerra, pobreza, doença, genocídio ainda estão conosco. Os humanos não evoluíram da ganância e tolice.

O mundo pode nunca mais ser capaz de olhar para si mesmo com maravilha. Mas duas novas imagens recentes vêm à mente. A primeira é o globo virtual que aparece quando se abre o programa Google Earth. O planeta como ferramenta de informação, esperando para nos levar a qualquer lugar. O outro é uma imagem assustadora do filme "Wall-E", da Terra como um aterro sem vida por causa do consumo.

A verdadeira Terra vista da Lua certamente ainda é linda, mesmo com as calotas polares mais finas, florestas menores, menos gorilas e tigres e alguns bilhões de pessoas a mais. Nós ainda somos irmãos e irmãs no eterno azul, mas cada vez mais interligados por laços invisíveis, capazes de ver e ouvir e entender como nunca antes. Isso, pelo menos, é motivo de otimismo.

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