Editorial - Uma boa eleição beneficiaria o Haiti

Terremoto de janeiro tornou votação impossível, mas país precisa de governo legítimo escolhido pela população

The New York Times |

O Haiti perdeu muito no dia 12 de janeiro e ainda tem muito a reconstruir, mas precisa essencialmente de um novo e legítimo governo. Isso significa que precisa de eleições nacionais.

O Haiti iria eleger um novo Parlamento em fevereiro e um novo presidente em novembro. O terremoto fez do pleito de fevereiro algo impossível e do de novembro algo incerto.

O mandato do Parlamento atual acaba nesta segunda-feira, o que significa que o Haiti entra em um período de incerteza, com enormes obstáculos a ultrapassar para que tenha um pleito transparente, honesto e tranquilo no final do ano.

Por enquanto o poder se concentra nas mãos de uma pessoa, o presidente René Préval, a quem o Parlamento concedeu autoridade de emergência para governar sem legislação.

Mas dada a longa e destrutiva história de um governo de um homem só no país, o período de emergência deve ser o menor possível. Préval insiste que deixará o poder ao final de seu mandato no dia 7 de fevereiro, mas assustou o mundo na semana passada ao anunciar que pode permanecer no cargo até o dia 14 de maio, data na qual acaba tecnicamente seu período de cinco anos no poder, caso a eleição atrase e o caos existente exija que ele permaneça no cargo.

Agora cabe a todos no Haiti, principalmente a Préval, garantir que isso não será necessário.

© AP
Haitianos fazem protesto contra Préval (foto: 08/05)

A missão da ONU no Haiti (Minustah) e a Organização de Estados Americanos prometeram apoio técnico e de segurança. A tarefa será extraordinariamente difícil: 1.5 milhões de pessoas – mais de 15% da população do Haiti – estão desabrigadas, morando em abrigos ou com parentes. Seus documentos de identidade foram destruídos junto com as escolas usadas para a votação.

O conselho eleitoral está trabalhando em uma central improvisada: um estádio. Enormes desafios de logística precisam ser superados e decisões tomadas a respeito do registro de eleitores, procedimentos de votação e a qualificação dos candidatos.

O processo precisa enfatizar a maior flexibilidade possível e a participação de eleitores e candidatos. Pessoas desalojadas devem poder votar onde moram atualmente, e não em seus setores antigos.

Partidos da oposição precisam se organizar e fazer campanha. Em um país onde a comunicação é difícil e cara, o Partido da União de Préval não deve ter vantagens.

Se eleições justas podem acontecer no Iraque, em meio à guerra, terrorismo e disputas étnicas, elas podem acontecer também no Haiti. A última coisa que o Haiti precisa é uma catástrofe política além do desastre natural.

O Haiti precisa de um governo legítimo escolhido e legitimado por uma eleição. Que comece a campanha!

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