Editorial: Um novo começo no Oriente Médio

Hillary Rodham Clinton deixou a impressão certa em sua primeira viagem ao Oriente Médio como secretária de Estado.

New York Times |

Seja qual for a composição de um novo, e provavelmente mais duro, governo depois da última eleição em Israel, Clinton deixou claro que o interesse da América está em uma solução de dois Estados apoiada por uma ampla paz regional. Ela avançou este interesse ao anunciar a volta das negociações com a Síria e o forte apoio americano ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

O ex-presidente George W. Bush cometeu um grave erro ao dar as costas à Síria, enviando o país direto para os braços do Irã. Afastar a Síria de Teerã irá beneficiar Washington, aumentando a isolação do Irã na questão nuclear e encorajando a cooperação síria na estabilização do Iraque. Também irá beneficiar Israel, dando à Síria maiores incentivos para que corte o suprimento de armas ao Hezbollah no Líbano. Por fim, irá beneficiar a Síria, oferecendo a abertura diplomática e econômica mais ampla que Damasco procura.

O provável próximo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, é mais aberto às negociações de paz com a Síria do que com os palestinos, mas fazer paz com a Síria é um complemento e não uma substituição à paz com os palestinos.

Abbas permanece a chave naquele fronte, apesar das fraquezas de seu partido, Fatah. O rival do Fatah, Hamas, se desqualifica enquanto permitir o disparo de foguetes e o uso de terrorismo contra Israel e rejeitar antigos acordos entre Israel e palestinos.

Ainda assim, o grande sofrimento civil causado pela ofensiva militar israelense contra o Hamas em Gaza em janeiro prejudicou a credibilidade de Abbas como um defensor dos interesses palestinos. Washington precisa convencer os líderes israelenses a ajudarem a reconstruí-la.

Na Cisjordânia, isso significa congelar as futuras construções e expansões de assentamentos. Também significa acabar com os bloqueios entre cidades palestinas que não precisam de segurança. No leste de Jerusalém, isso significa parar a humilhante expulsão dos palestinos. E em Gaza, isso significa aumentar as exceções aos bloqueios para permitir a importação de cimento e materiais de reconstrução. Estas medidas irão beneficiar Abbas mais do que o Hamas, que se alimenta do sofrimento palestino.

Clinton diz que levou estas questões aos líderes israelenses. Ela terá que continuar a falar sobre eles, bem como o enviado do Oriente Médio do presidente Barack Obama, George Mitchell, que voltará à região depois que o novo governo israelense estiver estabelecido. Oito anos de políticas incoerentes e relacionamentos inconsistentes fazem com que a retomada dos esforços de paz americanos sejam urgentes e necessários.

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