Editorial: um debate pequeno e perigoso sobre o protecionismo

O presidente Barack Obama alertou que o protecionismo pode levar o mundo a uma situação econômica ainda pior do que já está. Ele está certo. Infelizmente, o Congresso parece não ouvir.

The New York Times |

O projeto de gastos de US$ 410 bilhões que Obama transformou em lei na semana passada corta o financiamento de um programa piloto que permite que caminhoneiros mexicanos entreguem mercadorias nos Estados Unidos.

A medida claramente viola o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês), que prometeu (começando em 2000) abrir o transporte de carga entre Estados Unidos, México e Canadá a transportadoras dos três países. Esta semana, o México retaliou, nivelando suas tarifas em US$ 2.4 bilhões de importados americanos.

Tanto os Estados Unidos quanto o México precisam ter cuidado. Uma disputa frontal pode atingir mais de US$ 350 bilhões em comércio anual entre os países. Isso claramente não seria do interesse de ninguém.

Um painel arbitrário determinou em 2001 que os Estados Unidos haviam infringido suas obrigações com o Nafta a respeito dos caminhoneiros mexicanos. Mas graças ao sindicato dos caminhoneiros e seus aliados no Congresso, apenas um pequeno número de transportadoras mexicanas puderam operar dentro de uma zona de até 40 km da fronteira.

O argumento dos caminhoneiros de que os caminhões mexicanos são inseguros é falso (uma máscara para o protecionismo). Informações do Departamento de Transporte mostram que os caminhões mexicanos que operam nos Estados Unidos (perto da fronteira no programa piloto) têm melhores índices nas inspeções, com menos violações do que os americanos. 

Obama até então mostrou uma preocupante ambivalência em relação ao comércio. Ele pediu uma renegociação do Nafta, gerando ansiedade tanto em Ottawa quanto na Cidade do México - dizendo que isso pode de alguma forma ser feito sem prejudicar o comércio. Ainda que tenha persuadido o Congresso a aliviar a provisão "Compre América" no pacote de estímulo fiscal, Obama não conseguiu removê-la completamente.

Entendemos que a Casa Branca não queira ameaçar a aprovação do projeto de gastos gerando tumulto a respeito dos caminhoneiros mexicanos, que é uma questão menor. Mas está na hora de Obama colocar alguma força política por trás de seu declarado apoio ao comércio. 

Ele pode começar persuadindo o Congresso a reavivar o programa piloto para os caminhoneiros ou começar um novo. Ele precisa deixar claro que (em algum momento em breve) todos os caminhões mexicanos corretamente inspecionados poderão trabalhar em todo o país, como o Nafta exige. Isso não apenas resolveria este debate sobre o comércio, mas ofereceria ao mundo a certeza necessária de que os Estados Unidos cumprirão seus acordos comerciais nestes tempos difíceis.


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