Editorial: Turbulência econômica em Wall Street gera crise regional

Ainda não é possível determinar o tamanho do estrago que a turbulência financeira que atinge Wall Street fará sobre a economia da cidade de Nova York e região. Mas será significativo e não há tempo a perder. Os governos regionais precisam se preparar imediatamente para o efeito cascata da implosão do setor financeiro, que irá devastar a arrecadação fiscal e aumentar a demanda sobre o governo para que ajude aqueles que foram atingidos pela crise econômica

The New York Times |

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Wall Street é essencial para a economia regional. Suas operações representam um quarto dos salários e comissões pagos na cidade e mais do que isso em contribuição fiscal. Além disso, gera cerca de um quinto da arrecadação fiscal do Estado de Nova York. O governador Jon Corzine, de Nova Jersey, afirmou que Wall Street também apoia cerca de um terço da economia de seu Estado. A maioria dos milionários de Connecticut, que pagam 30% de seus impostos, trabalham ali.

Mas Wall Street perdeu US$ 20 bilhões na primeira metade do ano. Nos 12 meses que terminaram em julho, as indústrias de financiamento e seguros cortaram cerca de 16 mil empregos na área. Cada emprego em Wall Street sustenta três outros na teia urbana e suburbana que se espalha até Nova Jersey, Long Island e Connecticut. Para piorar, a crise mal começou.

Será difícil manter os orçamentos diante do desequilíbrio da economia, mas as autoridades da região podem se espelhar no bom exemplo da resposta da cidade de Nova York aos efeitos combinados da bolha "ponto com", recessão e os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Aquele período oferece a esperança de que a atual crise pode ser manejada sem prejudicar o funcionamento essencial do governo.

O auxílio federal ajudou, mas a gestão do prefeito Michael Bloomberg também soube aumentar o imposto sobre propriedades em 18,5% em janeiro de 2003. O orçamento dedicado à saúde e educação foi protegido, mas outros gastos, especialmente com policiamento e outros serviços uniformizados, foram cortados.

A cidade de Nova York, que por lei deve equilibrar seu orçamento, está em situação melhor do que o governos estaduais da região. A cidade teve sobra orçamentária no seu último ano fiscal, que terminou em junho, e usou o dinheiro para pagar dívidas com antecedência. Além disso, baseou o orçamento deste novo ano numa previsão de queda de 6% na arrecadação fiscal, um número muito mais realista do que o acréscimo de 4% usado em Albany para o seu ano, que teve início em abril.

Ainda que a cidade tenha que cortar os gastos novamente, há fontes potenciais para suprir essa necessidade. Os impostos sobre propriedade foram diminuídos 7% em 2007. Um rebate fiscal sobre imóveis foi apresentado em 2004. Reverter essas duas medidas pode gerar mais de US$ 1,5 bilhão.

Com US$ 32 bilhões em dívida, as finanças de Nova Jersey estão numa situação muito pior, apesar da tentativa de Corzine em tentar restabelecer a saúde fiscal do governo. O Estado de Nova York não está apenas numa situação precária, está em ano eleitoral. O governador David Paterson conseguiu mais de US$ 1 bilhão em cortes orçamentários para os próximos dois anos.

Ainda que relutantemente, os legisladores de Albany precisarão cortar muito mais. O Conselho da Cidade de Nova York não deve se opor ao aumento dos impostos sobre propriedade. Em Nova Jersey, os legisladores devem reavivar o ambicioso plano do governador de aumentar os pedágios para saldar as dívidas do Estado, o que economizaria milhões em dividendos.

Quanto antes agirem, melhor.

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