Editorial - Transição em Israel pode prejudicar acordos de paz

A história não será clemente com o primeiro-ministro de Israel Ehud Olmert. A forma com que ele lidou com a guerra no Líbano em 2006 foi desastrosa. Agora, difamado por escândalos financeiros, ele anuncia planos de deixar o gabinete assim que um sucessor for confirmado.

The New York Times |

No entanto, Olmert entende que uma solução bilateral com os palestinos é vital para a segurança de Israel. Nós esperamos que seu sucessor também entenda isso e traga maior urgência às negociações.

Sempre houve um enorme vão entre o que Olmert sabe sobre a necessidade de um acordo de paz e o que ele fez a respeito. Encontros periódicos com o presidente da autoridade palestina, Mahmoud Abbas, para negociações não bastam.

Sem prejudicar sua própria segurança, Israel pode adotar medidas importantes para melhorar a vida dos palestinos comuns e dar a eles uma verdadeira chance de paz. Em suas últimas semanas no poder, Olmert poderia polir seu legado e a perspectiva de um acordo, caso  anuncie o fim da expansão dos assentamentos judeus e a redução do número de bloqueios na Cisjordânia que estão prejudicando a economia palestina.

Aqueles que buscam substituir Olmert também precisam se comportar com responsabilidade. Dois dos principais candidatos (a ministra das Realções Exteriores Tzipi Livni do partido Kadima, mesmo de Olmert, e o líder do Partido do Trabalho, Ministro da Defesa Ehud Barak) favorecem uma solução bilateral. Os outros dois (o Ministro dos Transportes Shaul Mofaz, também do Kadima, e Benjamin Netanyahu, líder do partido Likud e ex-primeiro-ministro) não. Eles precisam repensar a questão.

Negociar um acordo irá exigir uma enorme coragem política (tanto para os líderes israelenses quanto para os palestinos). Entre as questões mais problemáticas estão: criar uma fronteira permanente que dê a Israel limites defensáveis e aos palestinos um Estado economicamente viável; encontrar uma forma de fazer de Jerusalém a capital de ambos os Estados e compensar e realocar os refugiados palestinos no novo Estado.

A posição de Abbas é complicada pelo fato de que seu governo controla apenas a Cisjordânia. A Faixa de Gaza, onde vivem cerca de um milhão de palestinos está nas mãos do Hamas.

O grupo militante vive um período de cessar-fogo com os israelenses. Mas não reconhece o direito de Israel existir, condena o terrorismo e se recusa a respeitar acordos feitos anteriormente entre Israel e Palestina. Será preciso encontrar uma forma de legitimar o Hamas e transformá-lo num parceiro negociador.

Mesmo na Cisjordânia, a posição de Abbas é segura demais. Israel tem razão de insistir que ele adote medidas mais radicais para conter os extremistas. Ele pode conquistar o apoio político que precisa apenas ao realizar melhorias efetivas na vida diária dos palestinos e dar sinais concretos da criação de um Estado. Políticos israelenses que não estão dispostos a trabalhar com Abbas nessas questões irão apenas fortalecer o Hamas e outros extremistas.

Países árabes também precisam assumir sua responsabilidade e pressionar o Hamas a adotar posturas mais responsáveis e oferecer maior apoio político e econômico a Abbas.

O presidente Bush ainda tem cinco meses no gabinete e pode melhorar seu desastroso legado se realmente se envolver numa tentativa de paz: oferecendo muito mais apoio, encorajamento e, sim, pressão para que Israel e Palestina façam o necessário para que a paz seja atingida na região.

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