Editorial: Terror em Mumbai será lição para governo da Índia

Compartilhamos o horror, a dor e a descrença que os indianos sentem enquanto absorvem os detalhes assustadores dos ataques terroristas que mataram quase 200 pessoas em Mumbai. Também reconhecemos e entendemos as questões que fazem a si mesmos e a raiva que sentem em relação ao que têm chamado de seu próprio 11/9.

The New York Times |

Como seu governo pode ter ignorado os sinais de alerta? Um relatório de 2007 avisou o Parlamento sobre a desproteção das costas do país (e alguns dos terroristas chegaram de barco). Por que a polícia e o exército não estavam mais preparados para uma resposta mais eficaz? Atiradores do lado de fora do Hotel Taj Mahal Palace & Tower não tinham instrumentos de visão telescópica, então não podiam disparar pois arriscariam a vida dos reféns.

Mas principalmente, de quem é a culpa por tamanha crueldade?

O Deccan Mujahedeen, grupo que reivindicou a autoria dos ataques, é desconhecido. Além disso, agentes da inteligência indiana e americana afirmaram ter notado sinais que apontam para o Lashkar-e-Taiba, um grupo islâmico que disputa a região da Cachemira e colabora cada vez mais com o Taleban e a Al-Qaeda. O que faz isso especialmente assustador é que o grupo recebeu treinamento e apoio dos serviços de inteligência do Paquistão, antes de ser oficialmente banido em 2002.

Tememos que quem quer que esteja por trás disso, o sangrento episódio liberará novos sentimentos de raiva entre as nações nucleares da Índia e Paquistão. Tememos que isso desviará ainda mais a atenção do Paquistão e suas tropas do combate aos extremistas em sua fronteira com o Afeganistão.

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, demonstrou uma tranquilidade extraordinária. Mas já existem pedidos de retaliação - com ou sem provas em relação aos autores dos ataques. Pedimos que ele considere as consequências cuidadosamente.

Os líderes da Índia precisam ser muito cuidadosos para não dar início a uma guerra religiosa dentro de suas fronteiras. Qualquer confronto militar com o Paquistão teria um enorme custo em vidas humanas. Até mesmo a ameaça de guerra prejudicaria o enorme progresso econômico da Índia.

A gestão Bush precisa usar toda sua influência para garantir que os líderes da Índia reconheçam estes perigos. Além disso, precisa garantir aos indianos que fará toda a pressão que puder sobre o Paquistão para que haja cooperação com as investigações (não importa quais sejam os resultados).

A resposta imediata do governo civil paquistanês foi encorajadora ao se oferecer para enviar o novo chefe de sua poderosa agência de inteligência, a ISI, à Índia. Esperamos que isso signifique confiança de que a agência não teve envolvimento no ataque, ou que está preparada para expulsar qualquer um que tenha ajudado os extremistas.

Infelizmente, a oferta foi rapidamente retirada depois que o Exército do Paquistão e partidos de oposição se posicionaram contra a iniciativa. O governo então anunciou que uma autoridade de inteligência menos importante iria ao país. No sábado, as autoridades paquistanesas agiam como se fossem as vítimas. Apesar dos horrores recentes sofridos pelo Paquistão, seus serviços militares e de inteligência ainda não entendem que terroristas são uma ameaça mortal a seu próprio país.

Nos próximos dias a Índia terá que analisar a si mesma para ver onde e como seu governo falhou em proteger seus cidadãos. Os Estados Unidos ainda estão aprendendo a lição de seus próprios erros antes do 11/9, mas podem ajudar neste processo.

O papel mais importante de Washington será encorajar os indianos e paquistaneses a darem um passo atrás em seu confronto. A próxima gestão terá então que agir rápido para garantir sérias negociações a respeito do futuro da Cachemira e cooperação para derrotar os extremistas.

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