Editorial - Terceirização de ações militares precisa ser revista nos EUA

O Congresso finalmente irá rever e possivelmente proibir uma das piores manobras contra a prestação de contas realizada pela administração Bush no Iraque ¿ a terceirização dos interrogatórios.

The New York Times |

Operando sem os limites das regras e ética militares, alguns desses mercenários estiveram envolvidos no escândalo de tortura na prisão de Abu Ghraib e não sofreram nenhuma punição. Agora acredita-se que outros sejam usados pela Agência Central de Inteligência, a CIA, em prisões secretas que permanecem fora do alcance da lei, livres até mesmo de cumprir as fracas leis de 2006 que regem os interrogatórios de prisioneiros.

Interrogadores civis são parte de uma ampla gama de contratados que a administração empregou no Iraque, Afeganistão e outros lugares do mundo. Suas ações geralmente irritam os iraquianos, como quando um grupo desses mercernários de dedo leve encarregados de proteger diplomatas americanos atiraram contra uma multidão e mataram 17 civis em setembro.

Essas ações continuam a prejudicar os Estados Unidos aos olhos tanto dos cidadãos das zonas de guerra quanto do mundo. O uso desses contratados como interrogadores é um sintoma da capacidade dessa administração em evitar as responsabilidades exigidas por leis internacionais ao recriar definições de comportamento civilizado e prejudicar operações legítimas.

No atual debate do orçamento militar, ambas as casas estão propondo a proibição do uso de contratados como interrogadores de prisioneiros. Elas também exigiriam que o Pentágono finalmente restrinja seu uso de milhares de guardas terceirizados que até o momento não precisam responder a ninguém no Iraque e Afeganistão. O Pentágono teria que criar regras especificando quais operações de segurança são missões militares que não podem ser terceirizadas.

Os abusos realizados por mercenários que operam fora do alcance da lei criminal e militar é uma prova da falha dessa administração em montar uma equipe adequada para a força de invasão. A empresa contratada mais notória que foi favorecida pela guerra é a Blackwater Worldwide. Mas diversas outras empresas receberam contratos para agir como "segurança privada", com um total  de até 50,000 pessoas.

A Casa Branca obviamente diz que irá vetar a lei, afirmando como sempre que impedir os interrogadores irá prejudicar a capacidade da nação "em conseguir informações necessárias para proteger os americanos de um ataque". Ao se dirigir à Casa sobre a proibição, David Price, democrata da Carolina do Norte, expôs os perigos do uso de mercenários em tarefas sensíveis como lidar e questionar prisioneiros.

Qualquer um interessado em proteger a América, mostrou Price, precisa saber dos benefícios de se usar interrogadores "que são treinados, que pertencem a uma hierarquia de comando e que juraram fidelidade aos Estados Unidos" e não a alguma corporação.

O Congresso deveria enfrentar as ameaças de veto e ir além: aprovar as medida que tornam os contratados de zona de guerra responsáveis por comportamentos criminosos e dar ao FBI a responsabilidade de investigar os crimes realizados por eles in loco. A forma de sairmos do fiasco do Iraque inclui um fim à terceirização de exércitos fantasma.

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