Editorial - Tempos difíceis e de comércio difícil

O comércio exterior foi uma força potente de verdade por mais de meio século. Ele impulsionou o surgimento do Japão das cinzas da 2ª Guerra Mundial e ajudou o país a se tornar uma potência industrial. É a pedra fundamental no desenvolvimento de estratégias na China e no Brasil. É o que conecta os países em todo o mundo em uma rede de produção que apoia a prosperidade global.

The New York Times |

Atualmente, o comércio está em colapso, mais uma fatalidade na crise financeira global. Isso é especialmente uma notícia ruim para os países que são dependentes do comércio para o crescimento econômico, incluindo muitas nações em desenvolvimento que não tinham nada a ver com a bagunça financeira.

As exportações dos Estados Unidos declinaram 30% e importaram 34% no primeiro quarto do ano dos três meses anteriores. As importações para países que usam o euro de fora de sua área foram abaixo de 21% comparados com o primeiro quarto do ano passado. Com essas taxas, a péssima projeção da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Março, de que o comércio global iria declinar 9% neste ano, logo começará a parecer prepotente.

A queda no comércio está espalhando uma fraqueza econômica pelo mundo, a queda nas importações de um país se transformam na queda de exportações, e da produção, em outro.

O Japão cuja economia depende incomodamente das vendas dos Estados Unidos, viu as exportações afundar em 45,5%, em Março, em comparação com o mesmo período de 2008. No primeiro trimestre, a economia contraiu 15,2% a uma taxa anual, o pior desempenho desde 1955. As exportações da China e do Brasil caíram 20% no primeiro trimestre, em comparação com o ano anterior. O México ¿ fortemente ligado ao mercado dos Estados Unidos por meio do Nafta ¿ viu as exportações cair quase 29% enquanto a economia mexicana contraiu 21,5% a uma taxa anual, três vezes mais do que a taxa de declínio dos Estados Unidos.

As principais forças que derrotaram o comércio parecem ser a queda na demanda e no investimento que começou nos EUA e na Europa, e a paralisação do mercado financeiro, que emprega mais de 90% do comércio de bens do mundo, cujo valor é cerca de US$ 16 trilhões. 

O impacto foi ampliado pela natureza ampla das redes de produção de multinacionais ¿ nas quais a fábrica em um país faz peças que são usadas pela planta de outro. Enquanto a demanda de seus produtos declinou e o sofrimento se moveu pelos países da cadeia de produção. O derretimento dos mercados de crédito ajudou a ressuscitar o comércio financeiro em partes. Governos das 20 maiores economias concordaram em continuar pressionando-o, garantindo que US$ 250 do comércio financeiro estariam disponíveis pelos próximos dois anos. Eles deveriam continuar suas promessas e deviam fazer mais.

O protecionismo também continua sendo um perigo grave. Com os eleitores insistindo que os políticos protejam seus próprios países, muitos deles já impuseram novas restrições às importações. Até agora, eles foram relativamente modestos. Mas com o crescimento contínuo do desemprego, a tentação ¿ e a pressão ¿ aumentará. No começo deste ano, o Relatório de Monitoramento Global feito pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou que um padrão está começando a surgir com o crescimento das licenças de importação, as tarifas de importação e acréscimos, e o comércio de apoio para sustentar as indústrias que enfrentam dificuldades desde o começo da crise.
A preocupação particular é as tentativas dos governos ¿ incluindo no Reino Unido, os países baixos e a suíça ¿ para garantir que os bancos sejam salvos por um favor dos contribuintes de credores domésticos. Enquanto a administração de Obama não impõe exigências similares, há pressão do Congresso e do público para fazer os bancos americanos que recebem dinheiro da TARP fazer empréstimos primários, se não exclusivamente, para credores americanos. Isso seria um erro. Uma das maneiras garantidas de prolongar a recessão global é criar ainda mais barreiras no comércio global.


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