Editorial - Subsídios de países em desenvolvimento mantêm petróleo em alta

Não é uma surpresa que os abusivos preços do petróleo tenham caído um pouco do pico de mais de US$140 o barril de junho. O consumo de energia diminuiu em todo o mundo industrializado. Os americanos, mais ávidos consumidores de gasolina do mundo, finalmente reagiram aos preços e dirigiram cerca de 17 bilhões de quilômetros a menos em maio do que no mesmo período do ano passado e trocaram suas caminhonetes por carros mais inteligentes. Enquanto o preço do petróleo aumentou dois terços, o consumo entre os americanos caiu 900 mil barris ao dia entre o primeiro quadrimestre de 2007 e o mesmo período de 2008.

The New York Times |

Infelizmente, uma grande parcela da população mundial não respondeu ao alto preço da energia. Por todo o mundo em desenvolvimento, os governos subsidiam a energia anulando o incentivo de conservação ao manter os preços baixos. Eles absorvem as economias feitas em países industrializados e ajudam a aumentar os preços do petróleo ao manter a demanda em alta.

Na China, a demanda subiu 400 mil barris ao dia entre o primeiro quadrimestre de 2007 e o mesmo período de 2008. A demanda nos países industrializados da Organização pela Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) caiu cerca de um 1 milhão de barris ao dia no mesmo período. No resto do mundo, cresceu para 1,1 milhão de barris.

Claro que os países em desenvolvimento crescem mais rápido do que as nações ricas, mas os especialistas dizem que os subsídios do governo estão exacerbando sua insaciável sede por petróleo. Keith Bradsher reportou na revista The Times que a China deve gastar cerca de US$ 40 bilhões em subsídios este ano. A Venezuela e o Egito devem gastar mais de 5% do seu total econômico. Já a Indonésia prevê um gasto similar, estima o Fundo Monetário Internacional.

Resumindo, o FMI diz que 48 países protegem seus consumidores dos altos preços usando subsídios.  Como resultado disso, ainda que a demanda por petróleo no mundo rico deva cair cerca de 1% este ano, o consumo em países emergentes e em desenvolvimento aumentará 3%, de acordo com estimativas dos economistas do órgão.

Governos de países em desenvolvimento dizem que precisam proteger os pobres do alto preço da energia. Eles temem que eliminar subsídios possa levar à inflação num momento em que os preços estão em alta. Mas esses subsídios são mal coordenados e, geralmente, beneficiam apenas os ricos donos de grandes carros e aviões particulares, bem como as indústrias de energia, que não são responsáveis pela criação da maioria dos empregos.

Os subsídios são caros e usam dinheiro público que poderia ser melhor aplicado em áreas como educação e saúde, por exemplo. Além disso eles ficarão cada vez mais caros conforme o preço do petróleo aumente ainda mais, o que explica porque alguns países, como a China e Índia, não permitem que o preço doméstico aumente.

Os subsídios são o principal motivo que mantêm o preço do petróleo em alta. Fora do Oriente Médio e algumas partes do Texas, isso não é do interesse de ninguém.  

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