Editorial: Sotomayor mantém tradição e evita controvérsias durante audiências

No processo de confirmação da indicação de Sonia Sotomayor para a Suprema Corte, o Senado descobriu mais do que o suficiente sobre suas qualificações para lhe dar a cadeira no tribunal. Mas também seria bom que os senadores - e a nação - tivessem uma noção mais profunda sobre suas opiniões em algumas das questões legais mais urgentes dos nossos tempos.

The New York Times |

Reuters
Sotomayor responde a senadores
Sotomayor responde a senadores
Foi decepcionante que em suas audiências de confirmação na semana passada, Sotomayor tenha dado continuidade ao que está se tornando a tradição dos indicados em evitar controvérsias.

Ficou claro que os Republicanos foram longe demais nas semanas anteriores, em que tentaram retratá-la como radical, imoderado e até mesmo racista. Ela os desarmou ao aparecer diante do Comitê Judiciário do Senado - agradável, erudita e eminentemente sensata. Sotomayor se defendeu dos principais ataques contra ela se afastando de uma declaração que fez no passado sobre uma "sábia latina" poder decidir casos melhor do que qualquer homem branco e dizendo que via o dever dos juízes como a aplicação da lei, não sua formulação.

Às vezes, ela cedeu de boa vontade espaço aos questionadores conservadores. Esperávamos que ela falasse francamente a favor da empatia, uma qualidade que o presidente Barack Obama disse procurar em seus indicados judiciais. Além disso, teríamos gostado de ouvi-la defender a ideia da Constituição como um documento vivo, que muda com o tempo. E teríamos preferido se ela tivesse usado as audiências para explicar ao público que a distinção muito mencionada entre juízes criarem e aplicarem a lei tem pouco significado.

Porém, não é disso que se tratam as audiências de confirmação judiciais de agora. Desde a fervorosa disputa pela indicação do juiz Robert Bork em 1987, a meta do indicado tem sido deslizar pelo procedimento tão educadamente quanto possível.

Sotomayor fez isso, mesmo em assuntos legais importantes. Ela evitou declaração profundas sobre o direito ao aborto, a extensão de poder presidencial, e outros assuntos importantes. Isto não foi completamente sua culpa. O Senado mostrou repetidamente que irá tolerar este tipo de evasão. Mas o público tem o direito de saber qual a posição dos indicados judiciais em assuntos legais importantes que terão um impacto direto em suas vidas.

Jogo ou não, o talento e a motivação que levaram Sonia Sotomayor de um projeto de moradia popular no Bronx à escola de Direito de Yale e, eventualmente, à liderança da 2º Corte de Apelação de Nova York estiveram à mostra.

A Associação Nacional de Rifles e alguns conservadores teimosos ainda combatem a indicação. Mas com pelo menos três senadores Republicanos dizendo que eles planejam votar nela, Sotomayor parece quase certamente confirmada.

A expectativa principal agora é a respeito de quão bipartidária será a confirmação quando o Comitê Judiciário votar, o que deve acontecer na próxima semana, diante do Senado completo.

Há um aspecto histórico nesta indicação, uma vez que Sotomayor seria a primeira hispânica na Corte Suprema. Mas todo juiz novo muda a corte ao trazer consigo sua própria experiência de vida, personalidade e perspectivas sobre a lei. Esperamos que o Senado a confirme sem demora, assim poderemos ver qual será sua contribuição mais claramente.

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