Editorial - Socorro ao setor automobilístico ainda está longe do fim

Menos de três semanas após a Chrysler pedir proteção concedida sob a Lei de Falência, parece que a administração de Obama está buscando o objetivo de completar a reestruturação da indústria automobilística até o mês de junho, permitindo que ela surja com um esforço pequeno e mais viável no mercado global de automóveis.

The New York Times |

Infelizmente, os problemas de Detroit ¿ e da Casa Branca ¿ não terminam aqui. O destino da General Motors ainda parece nublado, uma companhia maior e mais complexa do que a Chrysler. A falência da GM está se aproximando cada vez mais, pois os acionistas se recusam a aceitar os termos do governo por uma estrutura fora da corte judicial.

Mesmo se a GM ¿ com muita ajuda ¿ conseguir sobreviver à falência, ela ainda tem que mostrar que possui uma solução para um de seus maiores problemas: sua inabilidade em fazer carros que os consumidores queiram dirigir. Isso é um problema do governo também. No plano negociado pela General Motors e pela secretaria do Tesouro, o governo trocaria parte de seus empréstimos por investimentos de até 50%.

Até agora, parece que a Chrysler surgirá de sua reestruturação como uma companhia mais sensível, ligada à italiana Fiat, que sabe como fabricar e vender carros econômicos. O acordo, que poderia dar à Fiat até 51% da Chrysler, foi designado sob o olhar do governo para aumentar as vendas da Chrysler no exterior e fornecer à Fiat o desenvolvimento de veículos econômicos no EUA até 2013.

A falência da Chrysler tem sido tão silenciosa e rápida porque o governo a sustentou em todo seu caminho ¿ incluindo o fornecimento de financiamentos para mantê-la funcionando mesmo com a falência e cobrindo suas garantias para que os consumidores continuassem a comprar.

O processo começou com um plano antecipado do governo para repartir a companhia entre a Fiat, um fundo de investimentos do grupo dos Trabalhadores de Automóveis Unidos (UAW, sigla em inglês) e os governos canadense e americano. Mesmo assim foi necessária uma decisão simpática de falência para convencer o grupo recalcitrante de credores, com seus melhores juros, para recuar suas posições. A companhia ainda está encontrando uma grande resistência quanto ao plano de fechar algumas de suas 789 distribuidoras, em busca de uma diminuição que faça a organização cumprir seu pequeno papel no mercado global.

A reestruturação da GM não deve ocorrer de maneira tão tranquila. Muitos credores da GM se opõem veementemente ao plano do governo em tomar 10% da empresa em troca de um débito no valor de US$ 27 milhões, dando 39% a um fundo sob o controle de UAW para cobrir as obrigações no valor de US$ 10 bilhões.

A companhia ainda deve cortar alguns custos com atividades e provavelmente demitir um adicional de 20 mil trabalhadores. Ele quer fechar centenas de agências. O processo de falência da GM seria muito mais complicado devido a extensão da natureza global da organização ¿ e devido ao prospecto de que suas subsidiárias devem ter concordatas de falência, simultaneamente, em outros países.

Mesmo supondo que a provável falência da GM tenha um final feliz, os fabricantes de carros terão que superar os obstáculos em se tornar uma empresa completamente diferente ¿ ou seja, uma empresa que possa produzir carros econômicos para servir um futuro em que a energia terá altos custos e envolverá problemas ambientais, além de persuadir os consumidores americanos a comprá-los. Ela tem pouca experiência em ambas as atividades.

Acabar com a produção do Hummer e lançar o Chevy Volt (carro elétrico da Chevrolet) não serão o suficiente. A GM deve descartar imediatamente suas caminhonetes que gastam litros de combustível e suas linhas de SUV (utilitários esportivos), que no ano passado chegou ao 11º lugar no top 20 de marcas mais vendidas. Isso deve acelerar o desenvolvimento de carros híbridos, com combustível a gás e eletricidade, e outros carros de alta tecnologia. Conseguir isso com sucesso poderá exigir mais ajuda de Washington para incentivar os motoristas a pagar mais por carros econômicos.

Felizmente, o governo, o UAW e a nova liderança da GM parecem entender isso. Eles dividem uma visão ampla do rumo que a empresa deve tomar. E conseguir essa mudança não será fácil.


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