Editorial: Sistema eleitoral busca solução online para votos de militares

As palavras Flórida e voto pela internet, quando juntas, deveriam arrepiar qualquer um. Ainda assim, o condado de Okaloosa busca permissão do Estado para permitir que membros das forças militares votem pela internet em novembro.

The New York Times |

A eleição online tem inúmeros problemas, incluindo a possibilidade de  um hacker entrar no sistema e alterar os resultados. O plano de  Okaloosa, particularmente, não foi estudado o suficiente.

O fato deste condado, cujo número de militares em ação é grande,  querer adotar medidas agressivas para possibilitar seu voto é algo  louvável. O plano disponibilizaria quiosques de votação perto de bases  militares na Alemanha, Japão e Grã-Bretanha. Os votos seriam enviados aos Estados Unidos através de transações seguras como aquelas utilizadas pelos bancos.

O problema é que pouco se sabe sobre o funcionamento preciso do  sistema. Para a eleição online ser confiada é preciso ficar claro que  não há como um hacker invadir o sistema e os eleitores precisam ter  confiança no software  utilizado. Okaloosa não apresentou estes dados de forma convincente.

O condado pediu que um grupo de estudiosos analisasse a confiabilidade do sistema, mas seu relatório não foi apresentado ao público ainda (e pode ser que isso só aconteça após as eleições).

Qualquer sistema de eleição pela internet deve ser estudado a fundo da forma mais publica possível, com os especialistas do país sendo  convidados verificar seu funcionamento.

Em 2004, um grupo de estudiosos analisou um sistema eleitoral online  considerado pelo Pentágono. A idéia foi abandonada depois que eles  identificaram inúmeras falhas de segurança. Havia a possibilidade real, alertaram os professores, de que o sistema fosse usado para roubar votos. O sistema de Okaloosa não tem as fraquezas daquele projetado pelo Pentágono (que teria permitido que as pessoas votassem  do conforto de seus computadores em casa) mas ainda tem algumas delas.

A questão aqui vai além de um único condado. Se o experimento de  Okaloosa for adiante, outros condados de todo o país podem decidir  implementar seus próprios programas, com base em poucas análises e  debate. O secretário de Estado da Flórida deve negar o pedido de  Oskaloosa e o Congresso proibir o voto pela internet em eleições  federais até que um sistema confiável e amplamente testado tenha sido desenvolvido.

Todos os americanos tem o dever de garantir que os votos que elegem o presidente sejam computados através de sistemas de eleição confiáveis.

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