Editorial: Silêncio sobre abusos contra imigrantes toma conta da América

O assassinato do imigrante equatoriano Marcelo Lucero este mês em Long Island trouxe consigo uma benção cruel. O crime chocante (um ataque de uma gangue de garotos acusada de perseguir latinos) ofereceu a oportunidade perfeita para que essa comunidade curasse as antigas feridas e enterrasse a raiva.

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Ao invés disso, o momento causou a mesma desordenada gritaria. Os defensores dos imigrantes condenam o executivo do condado de Suffolk, Steve Levy, como uma espécie de cúmplice na morte por sua rígida devoção a um maior controle da imigração. Levy responde e tenta distribuir a culpa de maneira justa. Ele questiona, por exemplo, como uma gangue inspirada em "Laranja Mecânica" pode estar em liberdade há tanto tempo, disparando armas de brinquedo e ataques verbais a vítimas aleatórias, espancando pessoas como diversão.

Por que, ele questiona, seus amigos e conhecidos mantiveram o silêncio? A pergunta é justa, mas há outro silêncio com o qual Levy deve se preocupar.

O silêncio que ecoa mais dolorosamente é o das vítimas latinas destes e de outros crimes mantidos escondidos. A morte de Lucero permitiu que muitas histórias de abuso e ataques se tornassem públicas. Um comandante de polícia do precinto perdeu seu emprego por causa da forma como lidou com dois outros ataques contra homens latinos naquele dia fatídico, um reconhecimento de que, em Suffolk, proteção igualitária nem sempre se aplica a todos.

Suffolk não é o único lugar com crimes de ódio ou imigrantes temerosos. O mesmo silêncio dominava Postville, Iowa, onde crianças trabalhavam horas brutais em um matadouro. Ele existia em uma fábrica em New Bedford, Massachussets, que roubava nos salários de seus funcionários e em um estaleiro na Louisiana  onde trabalhadores legais eram mantidos em servidão moderna.

O não documentado silêncio dos imigrantes é o catastrófico silêncio de pessoas ensinadas através da perseguição legislativa e da estereotipagem implacável.

Levy não vê papel para si mesmo neste drama.

"Desde quando garantir a lei é algo negativo e inflamatório?", ele perguntou a seus críticos esta semana. Vamos tentar explicar.

A obsessão por localizar e expulsar os imigrantes é negativa porque não funciona. É inflamatória porque separa comunidades e famílias.

Quando você transforma a polícia local em 'la migra', como Levy já tentou fazer, você transforma os imigrantes em presas mudas para os criminosos. Quando você opta por brigar incansavelmente com defensores de outra opinião que o criticam, como Levy faz, você não consegue ficar do lado deles em um momento de desastre.

Além disso, quando você tolera a venenosa noção de que "ilegal" é uma mancha que nunca será apagada, sem caminho para a rendição, então você transforma os não documentados em uma classe permanente de supostos criminosos sem direitos.

Os imigrantes têm direitos. Eles têm o direito de receber por seu trabalho, falar livremente e se reunir em público sem medo.

Levy tem uma mente ágil e está comprometido a fazer o que é certo. Há formas dele tornar Suffolk em um lugar melhor. Ele pode deixar o trabalho de deportação e a patrulha da fronteira com o governo federal e se concentrar em fazer com que sua comunidade seja mais segura e dentro da lei. Ele pode defender os direitos dos ilegais, como trabalhadores temporários, de se reunirem de forma segura e receberem por seu trabalho, para evitar crimes federais como o roubo de salários e negócios que deixam de pagar impostos, prejudicando a situação de todos os trabalhadores.

Ele pode tentar atingir um objetivo comum com os latinos de seu condado (mesmo os que estão bravos com ele mas dispostos a negociar).

Ele pode ouvir o irmão de Marcelo Lucero, Joselo, que tem sido uma voz pela paz. Ele pode liderar seu condado ao silêncio da calma e conciliação, ao invés do silêncio do medo.

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