Editorial: Sérvia dá corajoso passo político ao prender Karadzic

Levou 13 anos, mas felizmente a polícia secreta sérvia prendeu Radovan Karadzic, o ex-presidente da República Sérvia da Bósnia que incitou o ódio racial e orquestrou alguns dos piores horrores da guerra no país. Espera-se que seja transferido em breve para Haia, onde será julgado por muitos de seus crimes de guerra.

The New York Times |

O governo da Sérvia deu crédito ao ótimo trabalho dos investigadores pela captura. As autoridades dizem que Karadzic adotou uma identidade falsa muito "convincente" e que "andava livremente" pelas ruas de Belgrado.

Uma explicação mais séria é que o presidente Boris Tadic e seu governo pró-ocidente decidiram melhorar as chances do país entrar para a União Européia e finalmente ordenou que os investigadores fizessem seu trabalho.

Entre seus muitos crimes, Karadzic é acusado de genocídio por seu papel no massacre de Srebrenica em 1995, o pior episódio da guerra e um infame lembrete do que acontece quando o mundo não se opõe a esse tipo de monstro. Quase 8.000 homens e meninos muçulmanos foram assassinados depois que forças sérvias invadiram a mal defendida "zona de segurança" da ONU.

A captura de Karadzic , mesmo que 13 anos depois, deve servir como um alerta aos outros líderes que incitam e aprovam o genocídio e acreditam poder se apoiar na cumplicidade de seus vizinhos e na falta de atenção do mundo para escapar da justiça.

Na semana passada, o promotor da Corte Criminal Internacional acusou o presidente do Sudão , Omar Hassan Al-Bashir, de genocídio por seu papel nos horrores de Darfur. Bashir deve prestar atenção. Bem como o Conselho de Segurança da ONU, que mais uma vez falha em impedir o assassinato de milhares de pessoas.

Espera-se ainda que a Sérvia obtenha outra conquista investigativa em breve. O comandante militar de Karadzic, o general Ratko Mladic, que liderou o ataque a Srebrenica e as mortes em massa que se seguiram, ainda está solto. Belgrado também precisa aceitar a independência de Kosovo. Mesmo assim, Tadic tem mostrado coragem política verdadeira. A Europa pode e deve ajudá-lo com melhorias nas relações com seu país.

O longo cerco a Sarajevo e o massacre de Srebrenica não devem ser esquecidos. Mas é de interesse de todos que a Sérvia acabe com sua auto-infligida isolação.

Leia mais sobre Radovan Karadzic

    Leia tudo sobre: radovan karadzic

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG