Editorial: Sarkozy incita preconceito anti-muçulmano

É fácil ver que os direitos de uma mulher são violados quando um governo exige que ela cubra seu corpo e rosto com um véu, como fazia o Taleban quando comandava o Afeganistão.

The New York Times |

Deveria ser tão fácil ver violação quando um painel parlamentário francês recomenda, como fez esta semana, a proibição de mulheres que adotam tais véus, a burqa e o niqab, de usarem serviços públicos, inclusive escolas, hospitais e transporte público. (Os lenços sobre a cabeça já são proibidos nas salas de aula de escolas públicas desde 2004.)

AFP
Mulher veste o niqab em Lyon, leste da França

Mulher veste o niqab em Lyon

As pessoas devem ter a liberdade de tomar estas decisões por si mesmas e não obrigadas por governos com a ajuda da polícia.

Em vez de condenar a recomendação, o presidente Nicolas Sarkozy parece determinado a excedê-la. Ele já declarou que véus que cobrem todo o corpo "não são bem-vindos" na França.

O líder de seu partido no Parlamento quer aprovar uma lei que proíbe que mulheres usem burqas e niqabs nas ruas. O Taleban ficaria feliz. O resto do mundo deveria declarar sua revolta.

Infelizmente, os políticos franceses parecem voluntariosamente cegos à violação das liberdades individuais. Com eleições regionais programadas para março, Sarkozy e seus aliados estão procurando desesperadamente formas de desviar a raiva pública a respeito do alto desemprego. É difícil gerar empregos e muito fácil incitar preconceitos anti-muçulmanos.

A França tem mais de 5 milhões de muçulmanos, o maior grupo de qualquer país europeu ocidental. Menos de 2.000 usam véus de corpo inteiro, não representando ameaça óbvia à identidade francesa ou sua segurança. Mas por serem poucos, eles se tornam uma tentadora arma eleitoral.

O ataque aos muçulmanos se tornou uma forma poderosa de conseguir votos para políticos de  extrema direita franceses, notavelmente Jean-Marie Le Pen.

Em uma clara tentativa de retomar alguns desses votos, o governo de centro direita de Sarkozy passou meses promovendo um "debate nacional" às vezes tolo, às vezes ameaçador, sobre a identidade francesa.

Nenhum ganho político pode justificar a incitação ao ódio.

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