Editorial - Sanções devem ser adotadas contra ameaças da Coreia do Norte

A Coreia do Norte está desenvolvendo um assustador costume de cumprir suas ameaças. Mantendo a palavra, nas últimas semanas o país conduziu um segundo teste nuclear e inúmeros outros para mísseis. Além disso, a Coreia retomou a fabricação de combustível para armas nucleares. E as ameaças continuam. No final de semana, o Norte prometeu fabricar mais armas nucleares e tomar ações militares resolutas contra os esforços de isolamento do país.

The New York Times |

Ainda não se sabe se novas sanções adotadas unanimemente pelo Conselho de Segurança da ONU podem impedir ações ainda mais perigosas. Mas sabemos que não há chance alguma caso elas não sejam implementadas. No entanto, a resolução deixa muito espaço para que os governos evitem colocá-las em prática caso optem por isso.

A resolução impede a Coreia do Norte de vender armas (mísseis balísticos e peças que são exportadas) ou comprá-las. Ela autoriza (mas não exige) que outros Estados  inspecionem cargueiros e aviões suspeitos de contar amas da Coreia do Norte ou tecnologia nuclear. O Norte tem vendido mísseis ao Irã e outros compradores perigosos e reatores nucleares à Síria.

Ela também pede (mas não exige) que os Estados e instituições financeiras parem de oferecer serviços bancários, empréstimos e crédito que podem financiar o programa nuclear ou de mísseis. Esta medida poderia ter o maior impacto, caso países e bancos atendessem ao pedido.

É encorajador que a China, fornecedora de alimentos e combustível da Coreia do Norte, e a Rússia estejam envolvidas no rascunho da resolução. O embaixador da China apoiou o que chamou de uma "firme oposição" da comunidade internacional às ambições nucleares do Norte.

Mas falar é fácil. A China e a Rússia expuseram sua continua ambivalência ao impedir os esforços para fazer com que certos elementos das novas sanções sejam obrigatórios. A China também insistiu em uma exceção para que possa continuar a vender armas para a Coreia do Norte.

Ninguém tem mais influência nos norte-coreanos do que a China, mas o país repetidas vezes impediu sanções por medo de desestabilizar o Norte e provocar um fluxo descontrolado de refugiados. A gestão Obama está fazendo sua parte, chegando a dizer que irá confrontar qualquer navio suspeito de conter itens proibidos e explorar novas formas de pressionar a Coreia do Norte financeiramente.

Depois de tudo que aconteceu, os oficiais desta gestão estão compreensivelmente desconfiados de que negociar um acordo seja possível. Eles estão certos em insistir o fim do fluxo de dinheiro que possibilita que a Coreia do Norte não cumpra o que inúmeras vezes se comprometeu. Mas também têm o direito de deixar a porta aberta para negociações.

Depois de um encontro na terça-feira com o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, o presidente Obama qualificou uma Coreia do Norte armada como uma "grave ameaça". Ele também disse que o Norte tem "outros caminhos disponíveis e que ainda pode abandonar o gelo diplomático caso volte à mesa de negociações e desista de suas ambições nucleares.

Este é um momento muito perigoso. Conforme a pressão aumenta, ninguém pode garantir como os erráticos líderes norte-coreanos irão reagir. Mas seria ainda mais perigoso permitir que o Norte se arme ainda mais ou venda seu arsenal para quem puder pagar por ele. Os Estados Unidos e outras potências, a começar pela China, precisam usar toda sua influência para evitar o pior.



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