Editorial: Retirada de tropas do Iraque é única saída para guerra no Afeganistão

Não se pode dizer que o presidente Bush não é consistente. Num discurso nesta terça-feira ele deixou claro que não tem planos para concluir a guerra no Iraque e nenhum projeto concreto para vencer a guerra no Afeganistão.

The New York Times |

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Bush quer poder dizer que conseguiu diminuir a violência no Iraque e ainda assim se recusar a tomar a difícil escolha que advém disso.

O presidente anunciou na Universidade da Defesa Nacional que irá retirar apenas 8 mil homens do Iraque até o final de sua gestão. Esta decisão deixará 138 mil homens para trás (mais do que havia no país antes do aumento do envio de soldados autorizado por Bush em janeiro de 2007).

Tudo isso parece ser motivado mais pelo que tem acontecido no campo de batalha americano do que em qualquer confronto no Iraque.

Ainda que Bush e o indicado de seu partido, John McCain, queiram ambos manter o curso até que se alcance uma indefinida "vitória", os eleitores americanos estão impacientes. Bush e seus conselheiros esperam que essa retirada seja o suficiente para manter o Iraque fora das manchetes e do debate eleitoral. (Ironicamente, McCain que não quer retirar nenhum soldado do país, não teve opção a não ser declarar apoio à decisão do presidente.)

Os líderes do Iraque também estão impacientes e pressionam para que os Estados Unidos retirem suas tropas do país até 2011. Isso significa que o próximo presidente (seja ele McCain ou Barack Obama) terá que planejar uma retirada rápida e segura.

Como Bush, os líderes do Iraque querem tudo. Eles querem negociar a retirada americana, mas ainda se recusam a oferecer o comprometimento político que será sua única esperança de manter as coisas sob controle depois que os americanos partirem.

Todos estes meses depois e o Parlamento iraquiano ainda não adotou uma lei de compartilhamento dos lucros do petróleo ou uma que estabeleça regras para eleições nas províncias.

Enquanto um presidente americano se recusar a dar início a um planejamento sério de retirada, os líderes do Iraque continuarão neste caminho.

Bush teve razão quando disse na terça-feira que "o sucesso no Afeganistão é crítico para a segurança da América". O que ele não disse é que Washington corre o risco de perder a guerra contra o Taleban e a Al-Qaeda (a guerra que Bush abandonou para perseguir alvos incorretos no Iraque).

Os comandantes americanos no Afeganistão precisam de mais ajuda do que os 4.500 homens adicionais que Bush prometeu enviar.

Obama ofereceu um plano detalhado de retirada de homens americanos do Iraque e melhoria da luta no Afeganistão. Depois de muito silêncio, McCain finalmente concordou na terça-feira que mais homens são necessários no Afeganistão. O que McCain ainda precisa explicar é de onde estes homens irão surgir.

A desastrosa guerra de Bush no Iraque sobrecarregou as forças americanas de tal forma que a matemática é dolorosamente simples: até que haja uma retirada real do Iraque não haverá tropas suficientes no Afeganistão.

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