Editorial - Resultado de investigação do caso antraz gera dúvidas sobre o FBI

O FBI parece convencido de ter finalmente solucionado o longo caso que buscava descobrir o responsável pelo envio das cartas contendo antraz que mataram cinco pessoas em 2001.

The New York Times |

Ainda assim, sua descrição das evidências que apontam um especialista em armas biológicas do Exército, mentalmente perturbado, como o único culpado gera dúvida sobre os investigadores terem criado apenas uma bela história depois de um começo difícil (ou declarado vitória prematura, apesar da falta de evidências).

Agentes federais se basearam em testes científicos sofisticados e muito trabalho investigativo para concluir que apenas o Dr. Bruce Ivins, que se matou na semana passada, poderia ter feito e enviado o antraz usado naquelas cartas. Segundo eles, novos exames possibilitaram identificar mudanças genéticas no antraz e comprovar que ele veio de um frasco mantido por Ivins no laboratório do exército em Forte Detrick, em Frederick.

Mais de 100 pessoas podem ter tido acesso à substância, mas num período de quatro anos os investigadores gradualmente eliminaram os suspeitos até que restou apenas Ivins.

No entanto, nenhuma das afirmações dos investigadores foi testada numa interrogação ou avaliada por outros especialistas e é imperativo que os federais tornem suas informações públicas para que investigadores independentes possam julgar se o antraz era realmente idêntico ao encontrado no estoque de Ivins.

Também é importante que as autoridades expliquem melhor como eliminaram os outros suspeitos que tiveram acesso ao material.

Os investigadores mostraram muitas evidências circunstânciais para apoiar seu caso. Os envelopes usados no envio tinham defeitos de impressão que indicavam que só poderiam ser encontrados num pequeno número de agências do serviço postal, incluindo uma onde Ivins mantinha uma caixa postal sob pseudônimo.Além disso, ele havia obtido equipamentos que poderiam transformar seu antraz úmido nas esporas secas que foram enviadas.

Dias antes do envio, Ivins trabalhou longas horas durante à noite e finais de semana sozinho, algo que não costumava fazer. Mensagens de email indicam que ele era mentalmente perturbado e se preocupava com a falha de seu projeto de vacina contra o antraz, um dos possíveis motivos por ter enviado as cartas seria gerar medo entre o público a respeito do componente. Também há evidências de que ele tinha um histórico de dirigir até outras cidades para enviar pacotes anonimamente.

Mas não há evidência direta de sua culpa. Nenhuma testemunha o viu colocando o pó de antraz no envelopes. Nenhuma espora de anthrax foi encontrada em sua casa ou carro. Nenhuma confissão a um colega ou num bilhete suicida. Nenhuma evidência física que o ligue ao local em Princeton, Nova Jersey, de onde as cartas foram supostamente enviadas.

Uma vez que Ivins se matou antes de ser indiciado não haverá oportunidade para análises que desafiem as conclusões do FBI. A agência, infelizmente, tem um histórico de construir casos circunstânciais que parecem confiáveis no começo, mas que não têm substância. O Congresso precisará provar o valor dessa investigação (e insistir que as autoridades federais mostrem a maior quantidade possível de evidências para que o público tenha certeza de que pegaram a pessoa certa desta vez).

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