Editorial: Resposta global à mudança climática está nas mãos de Obama e Hu

Dos mais de 100 líderes mundiais reunidos na terça-feira nas Nações Unidas para uma cúpula sobre a mudança climática, dois eram mais importantes: Barack Obama e o presidente da China, Hu Jintao. Juntos, seus países produzem 40% dos gases causadores do efeito estufa do mundo. Juntos eles podem liderar uma resposta global eficiente a esta clara ameaça. Ou juntos eles podem estragar tudo.

The New York Times |

Em menos de três meses, as negociações começarão em Copenhague visando um novo acordo para substituir o Protocolo de Kyoto de 1997. A esperança é que estas negociações irão gerar compromissos individuais de cada país que, coletivamente, impedirão que a temperatura suba mais do que 2º Celsius em relação aos níveis da era pré-industrial. Isso exigirá cortes profundos nas emissões - de até 80% entre nações industrializadas - até meados do século.

E não há muito tempo a se perder. Como Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, alertou na terça-feira: "A ciência não nos deixa espaço para a inércia".

Enquanto a Europa e os Estados Unidos discordam a respeito da rapidez com que países desenvolvidos devem agir, suas diferenças empalidecem em comparação à histórica  divisão entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento, que argumentam que o Ocidente industrializado deveria sustentar o fardo maior. De sua parte, o Ocidente diz que países como China e Índia estão crescendo tão rapidamente que já não podem permanecer secundários, como foi o caso de Kyoto.

Obama e Hu não solidificaram uma união, mas seus governos estão ouvindo um ao outro mais cuidadosamente. A China já não finge ser um país atrasado cuja necessidade de crescimento econômico a libera de qualquer obrigação em controlar suas emissões. Os Estados Unidos - o maior emissor mundial - estão reconhecendo sua responsabilidade de ajudar os países mais pobres e vulneráveis a reduzir suas emissões sem sacrificar o crescimento.

Ainda assim, os dois líderes têm um caminho considerável adiante.

Para Hu, isto significa se tornar muito mais específico a respeito de suas encorajadoras promessas. Na terça-feira, ele prometeu reduzir a taxa de aumento das emissões de gás carbônico entre agora e 2020 em uma "margem notável" - chegando a insinuar que a China buscaria reduzi-los em termos absolutos. Esta formulação vaga é improvável de ser aceita em Copenhague. Um acordo não tem que ter um tamanho único para todos, mas cada país deve ser obrigado a fazer compromissos reais e verificáveis.

Obama reconhece a urgência do problema. Ele terá que trabalhar muito para persuadir um Senado controlado por democratas (a Câmara já agiu) para que veja isto também e aprove uma lei forte que comprometa os Estados Unidos a cortes significativos nas emissões de gases causadores do efeito estufa.

O presidente  falou muito a respeito de outras medidas reguladoras que colocou em prática ou planeja colocar para controlar as emissões, e dos investimentos que fez em tecnologias mais limpas. Porém, uma legislação permanece essencial para que a América reivindique liderança e consiga um acordo internacional.

Durante anos, a China e os Estados Unidos adotaram uma perigosa rotina "você primeiro", usando a inércia um do outro para evitar suas responsabilidades. Ambos os líderes concordaram que chegou a hora desta dança terminar. Ainda que muito mais seja preciso para se chegar a um acordo aceitável, isto já é algum progresso.

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