Editorial: resgate do AIG deve ser investigado pelo Congresso

Depois de quatro resgates e cerca de US$ 170 bilhões, o American International Group finalmente respondeu algumas perguntas sobre o destino do dinheiro. Infelizmente, as respostas conseguiram apenas gerar mais perguntas.

The New York Times |

No sábado, os americanos descobriram que o AIG planeja pagar US$ 165 milhões em bônus aos executivos e funcionários da divisão responsável pelos problemas que exigiram o resgate federal. Os contribuintes têm todo direito de estarem chocados com isso e o presidente Barack Obama estava certo em reconhecer este choque na segunda-feira, quando prometeu tentar parar os pagamentos.

O duro discurso de Obama, no entanto, contrasta com comentários feitos por seu principal conselheiro econômico, Lawrence Summers e pelo Departamento do Tesouro. Eles já expressaram consternação mas disseram que, legalmente, não podem fazer nada para impedir os bônus, alguns dos quais já foram pagos na sexta-feira.

É frustrante o suficiente para os americanos tentar imaginar qual parte desta mensagem reflete a verdadeira posição da gestão. Mas a questão maior aqui é que os bônus representam uma certa distração. Quando vistos por si mesmos, os pagamentos são imensos, mas eles representam menos de um décimo de 1% do dinheiro que já foi comprometido ao resgate do AIG.

O que nos leva à segunda revelação dos últimos dias. Era de conhecimento comum que a maior parte do dinheiro de resgate do AIG havia sido destinado aos parceiros comerciais da companhia (bancos e outras empresas financeiras que teriam perdido muito se o AIG falisse). No domingo, depois de muita incitação por parte do Congresso, o AIG finalmente divulgou a identidade dos parceiros, juntamente com as quantidades pagas até então para complementá-los.

O maior recipiente único foi o Goldman Sachs (US$ 12.9 bilhões). A quantidade (dificilmente considerada apenas alguns trocados mesmo nos padrões de Wall Street) parece contradizer as afirmações anteriores do Goldman de que sua exposição ao risco pelo AIG era "não material" e que suas posições estavam distantes de riscos colaterais. Se este era o caso, por que seus fundos não cobriram as dívidas invés dos contribuintes americanos?

Entre os outros beneficiados estão 20 bancos europeus que receberam um total de US$ 58.8 bilhões e o Merrill Lynch (US$ 6.8 bilhões), o Bank of America (US$ 5.2 bilhões) e o Citigroup (US$ 2.3 bilhões).

No total, o valor soma US$ 107.8 bilhões em dinheiro de resgate do AIG. O que nos deixa pensando sobre o resto do dinheiro. Cerca de outros US$ 30 bilhões foram destinados ao resgate do AIG este mês e precisam ser justificados assim que forem gastos. O que deixa cerca de US$ 32 bilhões sem justificativa. Para onde foi este dinheiro?

Os contribuintes também precisam saber a natureza exata dos acordos entre os bancos e o AIG. No programa "60 Minutes" de domingo, Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve, descreveu o AIG como a companhia "que fez todo tipo de aposta inconsciente". Bem, do outro lado destas apostas estão os bancos que receberam dinheiro de resgate. É possível que por um lado da aposta esteja-se agindo sem consciência e pelo outro em boa fé. Mas também é possível que ambos os lados estejam tentando jogar um jogo vantajoso apenas para si mesmos.

O Congresso precisa investigar e as novas informações oferecem um bom começo. Desfazer todos os nós não é apenas essencial para se entender como o sistema se tornou tão corrompido, mas também para restaurar a fé no governo de que está à altura para consertá-lo.

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