Editorial: Resgate de Detroit deve garantir futuro mais eficiente no consumo de energia

Os executivos das automobilísticas de Detroit têm uma percepção única da profundidade de seus problemas. Há duas semanas, eles disseram precisar de US$25 bilhões dos contribuintes. Na terça-feira eles já pediam por US$34 bilhões. Agora eles dizem ter planos para reverter a situação de suas companhias.

The New York Times |

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Estes planos são possíveis, mas os chefes executivos das companhias Big Three deixaram para trás duas coisas importantes. A primeira delas é o compromisso necessário para transformar a si mesmos em negócios que projetam carros eficientes, mesmo com o preço da gasolina em queda. A segunda, suas cartas de demissão.

Antes de dar a General Motors, Ford e Chrysler o dinheiro que precisam, o Congresso deve exigir delas um compromisso muito maior com a economia de combustíveis. Além disso, precisa estabelecer um sistema mais rígido para garantir o cumprimento das regras e exigir a substituição de seus executivos.

Do ponto de vista financeiro, os planos de reestruturação oferecem chances razoáveis das companhias emergirem como negócios viáveis, mais capazes de competir com as montadores japonesas.

A GM, que pediu US$18 bilhões em empréstimos (US$4 bilhões para terminar este ano) se ofereceu para abandonar diversas marcas, fechar nove fábricas, diminuir sua força de trabalho em 20% e cortar US$30 bilhões em dívidas. A Chrysler, a menor e mais vulnerável das três, pediu US$7 bilhões agora em troca de cortes nos custos de US$4 bilhões em 2009. A Ford, que disse que poderá sobreviver sem o dinheiro dos contribuintes mas pediu por US$9 bilhões para garantir, apresentou um plano que ressalta como a companhia voltará a lucrar em 2011.

Os sindicatos dos trabalhadores estão do lado das automobilísticas e oferecem concessões que incluem permitir que elas atrasem os pagamentos ao fundo que cuidaria do seguro de saúde dos aposentados.

Todas as três companhias apresentaram planos de mudar seus modelos. A GM disse que irá oferecer até 15 carros híbridos até 2012. Seu Chevy Volt, que pode rodar até 65km alimentado por energia elétrica, voltará à produção em 2010. A Chrysler também afirmou que irá oferecer um carro totalmente elétrico. Já a Ford disse que diminuirá a fabricação de caminhões, caminhonetes e esportivos utilitários para 40% de seu portfolio, ao invés dos atuais 52%, nos próximos três anos e colocará motores mais eficientes na maioria de seus carros.

O Congresso deve pedir mais. Há motivos para desconfiarem das três automobilísticas de Detroit. Com o preço da gasolina novamente abaixo de US$2 pelo galão (cerca de 5 litros), elas enfrentam um poderoso incentivo para abandonar a necessidade de uma quilometragem melhor e voltar a produzir os ultra consumidores de sempre.

O Congresso, nada inocente nesta crise, não pode deixar que isso aconteça. Para começar, ele deve exigir que os executivos das três companhias deixem seus cargos. Apenas uma nova liderança pode garantir a necessária mudança cultural que precisa acontecer na indústria. Além disso, precisa impor regras reais que possam ser garantidas. A União Europeia almeja  uma frota econômica que faça até 80km por galão até 2015. Nos Estados Unidos, o Congresso aprovou no ano passado um objetivo de 56km por galão até 2020.

Os especialistas dizem que as automobilísticas de Detroit podem conseguir 69km por galão até lá mesmo sem novidades tecnológicas. Se as companhias estiverem dispostas a fazer carros menores, podem conseguir 80km por galão. O Congresso pode considerar exigir que Detroit simplesmente abandone a produção de S.U.V. e vans até uma certa data.

Se a economia estivesse em crescimento, poderia ser uma boa ideia deixar que uma ou mais destas companhias falisse, se reestruturasse e voltasse ao mercado menor e mais limpa. Mas em meio a uma recessão, o risco de falência geraria uma bola de neve, além de índices de desemprego catastróficos. A oferta de resgate pode colocar as automobilísticas a caminho de um futuro mais eficiente no consumo de energia.

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