Editorial - Repressão chinesa aumenta antes dos Jogos Olímpicos

O presidente Bush finalmente começou a se manifestar (de forma delicada) a respeito da onda de repressão pré-Olímpica que atinge a China. Com o início dos Jogos de 2008 em menos de duas semanas, esperamos que ele continue a se manifestar e peça a outros, como líderes mundiais e corporativos e o Comitê Olímpico Internacional (se essa problemática organização ainda tiver alguma salvação), que façam o mesmo.

The New York Times |

Depois de jogar como Pequim queria e se recusar a condenar a China depois do último episódio de repressão aos críticos do sistema e jornalistas, Bush merece algum crédito por realizar negociações com cinco proeminentes dissidentes do país asiático.

Apesar do encontro ter sido realizado a portas fechadas, a Casa Branca o anunciou e disse que Bush falou a respeito de sua "preocupação" com os direitos humanos na China. Bush também participou de um encontro separado entre seu conselheiro de segurança nacional e o ministro do exterior chinês e aconselhou sobre como a Olimpíada representa uma "oportunidade de demonstrar compaixão pelos direitos humanos e pela liberdade".

O problema é que a postura de Bush ainda é muito deferente à China, dado o comportamento repreensível e desafiador do país. Na quarta-feira, as autoridades confirmaram que irão censurar a internet durante os jogos, violando garantias anteriores. Jornalistas estrangeiros já haviam descoberto que não têm acesso a certos sites como o da Anistia Internacional e da Rádio Free Ásia.

Para tornar a questão ainda pior, o COI, que autorizou todos os procedimentos na China, aparentemente aceitou que websites sejam bloqueados. Os responsáveis por um acordo desses deveriam ser forçados a abandonar seus cargos. O comitê precisa exigir que a China cumpra as promessas que fez antes dos Jogos.

Para conquistar o honroso direito de sediar a Olimpíada, a China prometeu ampliar a liberdade de imprensa para jornalistas estrangeiros e deu sinais de que os direitos humanos seriam mais amplamente respeitados. Ao invés disso, as autoridades ameaçaram e prenderam críticos do sistema, intimidaram jornalistas, negaram vistos seletivamente, silenciaram os pais que perderam seus filhos no terremoto do dia 12 de maio e mudaram milhares de chineses cujas casas eram vistas como um dano à imagem de Pequim.

Bush não pode ir à Olimpíada em silêncio na próxima semana. Como a Câmara dos Representantes disse numa resolução aprovada com 419 votos contra 1, ele deve insistir que a China aja imediatamente para acabar com os abusos dos direitos humanos, além de permitir a liberdade de expressão e atividades políticas pacíficas durante os jogos.

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