Editorial - Referendo boliviano resulta em perda para todos os envolvidos

Todos os lados clamaram vitória no referendo que aconteceu no último fim de semana para ratificar o presidente da Bolívia, Evo Morales, e governadores rivais. Mas a disputa política contínua e encaminha o país a um destrutivo impasse.

The New York Times |

Mais de dois terços dos bolivianos votaram para manter Morales no poder. Seus quatro principais rivais na região rica em gás das planícies do leste também ganharam com uma grande margem. Morales afirma que agora tem o poder de pedir um referendo nacional sobre reformas constitucionais que dariam ainda mais poder ao presidente e permitiriam que ele solicitasse mais um mandato.

Os quatros governadores rejeitaram essas mudanças e insistiram que suas vitórias significam que podem conquistar uma autonomia maior.

A reforma proposta é legalmente duvidosa. Praticamente todos os delegados da oposição foram excluídos dos procedimentos da Assembléia Constitucional que aprovou as mudanças. Antes de solicitar a eleição, manifestantes impediram que Morales visitasse as províncias de Tarija e Santa Cruz.

A Bolívia (especialmente a população das pobres regiões de Quechua e Aymara que são os principais defensores de Morales) precisa desesperadamente de mudanças sociais. Mas o apego de Morales ao poder e sua postura desafiadora devem impedir qualquer reforma neste âmbito.

Seu governo já modificou grandes partes da economia, nacionalizando empresas de mineração e telecomunicações e acirrando o controle sobre a indústria de gás natural. Além disso, também combateu o judiciário e fez com que quatro de cinco juízes abandonassem seus cargos na corte constitucional. Para conseguir uma nova pensão para os idosos, Morales tirou a verba advinda dos impostos sobre o hidrocarbono das mãos dos governos regionais.

Morales e seus rivais precisam acalmar sua retórica e procurar por uma solução. É possível dar mais poder e melhorar a vida do povo indígena da Bolívia, há tanto negligenciado, enquanto se incorpora a exigência legítima de maior autonomia regional. Uma divisão equilibrada do gás da nação pode ser negociada.

Os líderes políticos da Bolívia podem começar concordando com regras justas e transparentes: apontando juízes imparciais ao tribunal eleitoral e corte constitucional e concordando com procedimentos para aprovar mudanças na constituição. Caso não consigam chegar a um acordo por si mesmos, eles deveriam pedir a mediação da Organização dos Estados Americanos.

Tememos que sem um processo político que seja aceito por todos os lados, a Bolívia fique confinada a uma crise política permanente e debilitante.

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