Editorial - Quem controla a imigração nos EUA?

A execução das leis imigratórias saiu de controle na era Bush, quando agentes federais invadiam fábricas para algemar trabalhadores e as autoridades locais tomavam suas próprias medidas com pouca ou nenhuma fiscalização de Washington. Não passava de uma guerra sem planejamento e não resolveu nada.

The New York Times |

O presidente Barack Obama prometeu inúmeras vezes que tomaria outro rumo. Mas se ele e a secretária de segurança doméstica, Janet Napolitano, estão rompendo com as práticas de Bush ainda não vimos isso. A engrenagem despedaçada segue adiante.

Dois exemplos recentes revelam isso.

O primeiro foi um grande, pacífico protesto em Phoenix no sábado. Milhares se ergueram contra o temido xerife do Condado de Maricopa, Joe Arpaio, que brutalmente usou seus poderes sob um programa conhecido como 287(g). Nele, a polícia local se alista como agente de execução de políticas imigratórias. Com isso, Arpaio aterrorizou bairros latinos com incansáveis patrulhas e desfilou imigrantes algemados pelas ruas.

Quando foi governadora de Arizona, Napolitano defendia abertamente a delegação da autoridade imigratória negligenciada pelo governo federal às autoridades locais. Arpaio é um exemplo deste conceito ao extremo. Ele raramente é desafiado como foi no sábado - não pelo governo, mas pelo organizador comunitário Salvador Reza, alguns membros do clérigo e políticos e milhares de pessoas que ousaram dizer: Basta.

O outro exemplo foi a primeira patrulha de um posto de trabalho realizada na gestão Obama, no final do mês passado em Bellingham, Washington. Mais de uma dúzia de pessoas foram presas em uma companhia familiar que reconstrói motores automotivos. Eles foram acusados com as rotineiras ofensas burocráticas. A companhia disse que não sabia de nada, bem como Napolitano. Ela afirmou que não foi informada com antecedência e prometeu investigar.

Os americanos que podem aplaudir qualquer repressão contra imigrantes ilegais, principalmente durante uma recessão, deveriam saber que invasões esparsas e xerifes agressivos não são a solução. A ideia de que apenas a execução das políticas imigratórias será o suficiente para eliminar a economia do submundo é uma ilusão. Ela vai contra a impossível matemática da expulsão em massa (nenhum regime concebível de patrulhas irá remover 12 milhões de imigrantes ilegais de seus empregos e lares).

O país não é mais seguro ou melhor porque mais uma empresa e duas dezenas de famílias foram destruídos fora de Seattle ou porque Arpaio aterrorizou grande parte do condado de Maricopa. O sistema sob o qual imigrantes ilegais trabalham, sem esperança de assimilação, não está nem um pouco menos deteriorado. Um novo relatório do Gabinete de Prestação de Contas do Governo mostra que a falta de fiscalização governamental sobre o programa 287(g) tem piorado.

Por isso, questionamos: Obama e Napolitano são os responsáveis ou não? Eles têm que mostrar isso acabando com as patrulhas e os abusos de Arpaio. Algo tem que ser feito em relação à imigração, mas tem que ser muito mais inteligente do que isso.


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