Editorial: Qual o melhor caminho para sair de Gaza?

Concordamos que Israel tenha que se defender contra os ataques com mísseis do Hamas, mas tememos que sua ofensiva em Gaza passou do ponto em que poderia ser considerada uma represália. O momento pede um cessar-fogo com o Hamas e a volta das negociações de paz que representam a única garantia de segurança a longo prazo para Israel.

The New York Times |


O cessar-fogo finalmente parece ganhar força e isso é encorajador. Apesar de poucos detalhes terem sido divulgados, rumores revelam a proposta egípcia de trégua, seguida da retirada das forças israelenses e da reabertura das fronteiras para aliviar o bloqueio econômico a Gaza.

A súbita atividade diplomática aconteceu conforme Israel realizava seu ataque mais pesado a bairros de Gaza, atingindo inclusive um composto de prédios da ONU no qual centenas de palestinos se abrigavam.

Oficiais israelenses reconhecem que a ofensiva de 20 dias não prejudicou o Hamas de forma permanente ou acabou com sua habilidade de lançar mísseis.

Continua improvável que Israel atinja estes objetivos tão cedo militarmente. O custo em vidas humanas e fúria anti-Israel pelo mundo é enorme. Até o momento mais de 1.000 palestinos morreram na densamente populada faixa de Gaza, onde uma vida constantemente miserável se tornou insuportável. Trinta israelenses morreram.


Família de palestinos olham o estrago na Cidade de Gaza / AP

Tememos que a guerra esteja enfraquecendo ainda mais o presidente palestino , Mahmoud Abbas, e sua facção do Fatah (inimigo do Hamas). Conhecemos as limitações de Abbas, mas ele acredita em uma solução bi-estatal. Se vai haver uma negociação de paz, ele é a melhor esperança.

Como parte do acordo de cessar-fogo, Israel tem razão de exigir uma parada permanente nos ataques com mísseis do Hamas. Israel também tem o direito de não confiar nas promessas do Hamas. O Hamas usou o último cessar-fogo para aumentar seu arsenal com armas contrabandeadas pelos túneis cavados sob a fronteira entre o Egito e Gaza.

A melhor estratégia seria a alocação de monitores na fronteira entre Egito e Gaza para impedir o contrabando que sustenta o Hamas. Os israelenses também precisam se preparar para aliviar seu bloqueio a Gaza e permitir a entrada de mais alimentos e uma atividade econômica normal.

A ministra das Relações Exteriores israelense, Tzipi Livni, é aguardada em Washington nesta sexta-feira onde irá assinar um acordo rapidamente arranjado para aceitar a assistência técnica e de equipamentos que irão ajudar no monitoramento da fronteira com Gaza.

Oficiais americanos e israelenses dizem que Israel não aceitaria um cessar-fogo sem este acordo e ambos elogiam a secretária de Estado Condoleezza Rice por ele. Mas Washington poderia ter dado esta assistência há anos (bem como poderia ter pressionado com maior firmeza a respeito do conflito entre Israel e Palestina).

O presidente eleito Barack Obama diz que irá trabalhar por um acordo de paz a partir do primeiro dia de sua gestão. Esperamos que Israel escolha um novo líder nas eleições do próximo mês que seja realmente comprometido com uma solução bi-estatal. Com o apoio de um novo presidente americano, ele ou ela deve avançar em busca da paz ao acabar com a construção de assentamentos, cooperar seriamente com Abbas e melhorar a vida de todos os palestinos vivendo em Gaza e na Cisjordânia.

21º dia de ataques

Leia também

Vídeos

Opinião

Leia mais sobre: Oriente Médio


    Leia tudo sobre: faixa de gaza

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG