Editorial: Qual é o plano B?

Os republicanos do Senado, determinados a bloquear o pacote de resgate de US$14 bilhões da Chrysler e General Motors, discursaram uma retórica previsível contra os perigos de um governo ineficiente e envolvido demais no setor público.

The New York Times |

Acordo Ortográfico O senador Mitch McConnell de Kentucky, o líder republicano, alertou na quinta-feira que "um governo grande o suficiente para nos dar tudo que queremos é um governo grande o suficiente para pegar tudo que temos".

Vamos ser claros. O pacote de resgate aprovado na Câmara essa semana não irá consertar as automobilísticas que estão perdendo dinheiro a olhos vistos. Mas permitir que uma dessas companhias chegue à falência pode potencialmente causar a perda de milhares de empregos e até mesmo um caos econômico.

Além disso, se as montadoras de Detroit querem sobreviver, elas precisarão passar por mudanças completas em seus negócios e a criar carros que as pessoas irão comprar. Para isso, elas precisarão de uma nova liderança, uma análise racional de erros do passado e, sim, uma injeção maior de dinheiro do governo.

O resgate a curto prazo não apenas nos dá tempo, mas usa este tempo para criar um plano de reconstrução a longo prazo. A vindoura gestão Obama poderá então decidir se deve investir outros bilhões para realmente reconstruir a indústria.

Ninguém (nem mesmo as automobilísticas) entende completamente a profundidade dos problemas de Detroit ou quanto dinheiro será preciso para resgatá-la. Mark Zandi, economista da Economy.com pela Moody's, disse ao Congresso na semana passada que resgatar as companhias custaria aos contribuintes  entre US$75 bilhões e US$125 bilhões nos próximos dois anos. Isso é provavelmente uma projeção otimista.

Conforme as vendas caiam, mais dinheiro dos contribuintes será necessário para que as montadoras sobrevivam, e mais dúvidas irão surgir sobre o sentido de se ajudar companhias automobilísticas que não vendem seus carros.

Antes de tomar qualquer decisão, a próxima gestão irá precisar de muito mais informação. O atual plano pede que o governo indique um czar dos carros que terá acesso total às finanças das montadoras. Até o final do ano, esse czar estabeleceria regras para avaliar o progresso das automobilísticas em sua reestruturação.

A autoridade uniria as companhias e seus credores, trabalhadores, revendedores e fornecedores para criar um plano de restauração de sua viabilidade a longo prazo. Os muitos acionistas teriam até o dia 31 de março para atingir essa meta e o czar poderia ameaçá-los com a falência para encorajar um acordo aceitável.

O projeto tem muitas fraquezas. A mais importante, ele falha em exigir que os principais executivos de qualquer companhia automobilística recebendo dinheiro do contribuinte abandonem seus cargos. Essas companhias precisam de novos líderes que não estejam acostumados com as estratégias falhas de Detroit. Além disso, o projeto não determina qualquer condição para garantir que as montadoras invistam em veículos mais eficientes. Qualquer plano a longo prazo precisa garantir que as montadoras não irão simplesmente continuar a fazer caminhonetes e utilitários de alto consumo, cuja popularidade (infelizmente) se recuperou depois da queda no preço da gasolina.

Os relatos de que os republicanos do Senado estavam a um passo de bloquear o acordo na noite de quinta-feira foram alarmantes. Apesar de todas as falhas da ação imediata, não vemos uma solução a longo prazo sem esse resgate.

Leia mais sobre montadoras

    Leia tudo sobre: montadoras

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG