Editorial - Promessas vazias sobre o aquecimento global

Os auxiliares da Casa Branca rotularam o discurso do presidente Bush em Rose Garden como um ponto de virada no qual ele revelaria propostas ambiciosas para lidar com o problema do aquecimento global - um ato tardio de reparação depois de sete anos sem atitude alguma.

The New York Times |

Infelizmente, as idéias de Bush não passavam das coisas antigas camufladas de novas. Ao invés de tentar compensar esses anos de negligencia e negação, seu discurso pareceu cinicamente criado para impedir que outros mostrem a liderança que ele se recusa a ter - desviar o Congresso da proposta de impor preços às emissões de carbono e  os Estados de regularem por si mesmos as emissões.

A principal proposta de Bush foi parar o crescimento das emissões nos Estados Unidos, principalmente por usinas de energia, até 2025. Isso significa, claro, que depois de sete anos deixando as emissões crescerem, ele permitirá que elas continuem assim por mais 17 - e não chegará nem perto da redução que os cientistas acreditam necessária para evitar as piores consequências nas mudanças no clima.

Nós já vimos Bush fazer isso. Há alguns anos, ele prometeu grandiosamente que reduziria "a intensidade de carbono". A idéia era que as emissões poderia aumentar desde que mais devagar do que o crescimento econômico. O presidente nunca compreendeu que o único jeito de reverter o processo e evitar sérios danos é realmente reduzir as emissões.

E como Bush atingiria seus próprios alvos inadequados? Não é uma surpresa que não houve menção alguma de intervenção do governo. Bush argumenta que a indústria fará o que não fez até agora voluntariamente para reduzir as emissões em ampla escala. Ele insistiu que novas tecnologias, desenvolvidas através da inciativa pública e privada, tornariam isso possível.

Ninguém que se preocupa com esse problema discorda que há necessidade de investimentos em formas mais limpas de se produzir energia a partir de fontes como o carvão, de fontes alternativas como o vento e em tecnologias que não emitem carbono que hoje não passam de sonho. Mas ninguém acredita que a indústria irá investir nessas novas tecnologias até que as formas atuais de produzir energia se tornem caras demais. Para que isso aconteça, o governo precisa por um preço nas emissões de carbono através de impostos obrigatórios ou taxas de medida, ou uma combinação dos dois.

Novamente Bush resistiu a verdade central e reafirmou sua oposição a ambos os impostos e a medição do carbono emitido que estão no centro de um projeto de lei no Senado, patrocinado pelos senadores John Warner e Joseph Lierberman. Ele não apenas se opôs a essa lei, mas também criticou os Estados e cortes por invocarem leis antigas como o Ato do Ar Limpo.

Há apenas alguns meses, Bush prometeu obeceder a decisão da Suprema Corte em relação ao Ato da Agência de Proteção do Meio-Ambiente (EPA na sigla em inglês) exigido para regulamentar a emissão de gases causadores do efeito estufa. Agora ele alerta que obedecer a lei pode causar um "descontrole regulatório".

É difícil achar algo que redima seu discurso, apesar de conter duas verdades óbvias: esse presidente não tem intenção alguma de lidar com o aquecimento global. O próximo presidente não terá opção, terá que fazer melhor.

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