Editorial: Presidente Obama planeja resgate do Afeganistão

O presidente Barack Obama e seus assessores não concluíram a revisão das políticas adotadas em relação ao Afeganistão (um dos mais perigosos desastres de política externa entre os muitos que George W. Bush deixou para trás).

The New York Times |

Mas a situação está se complicando tão rapidamente que os assessores afirmam que o presidente decidiu não ter outra opção a não ser enviar outros 17.000 soldados ao local enquanto comandantes e diplomatas tentam criar uma estratégia para interromper o derramamento de sangue e tentar impedir que o Taleban recupere o país. Não há muito tempo.

Nas próximas semanas, Obama terá que lidar com uma série de difíceis questões, começando com como irá definir o sucesso no Afeganistão. O presidente terá que considerar se irá manter o apoio ao governo central em Cabul ou se concentrar mais em cultivar líderes locais. A corrupção deslavada do governo do presidente Hamid Karzai levou afegãos demais de volta aos braços dos extremistas.

Durante a campanha, Obama disse que estaria aberto a negociações com alguns militantes afegãos. Nas últimas semanas, comandantes americanos disseram que estão expandindo contato com os chamados membros moderados do Taleban. A essa altura, pode não haver escolha.

Mas estamos céticos em relação a qualquer acordo poder ser feito com líderes do Taleban que acolheram a Al-Qaeda antes do 11/9 e que sem dúvida iriam insistir em reimpor suas formas repressoras, quase medievais, inclusive proibindo o acesso ao ensino e saúde às mulheres.

Obama e sua equipe também precisam rapidamente criar um plano para expandir e treinar de maneira mais eficiente o exército afegão (que eventualmente precisará substituir as tropas americanas e da Otan) e sua força policial, estancar a indústria de de ópio que gera US$ 720 milhões em financiamento para o Taleban e encorajar o desenvolvimento ao longo da fronteira entre o país e o Paquistão.

Obama terá que descobrir um jeito de persuadir os aliados da Otan a enviarem mais soldados (com ordem de combate) e mais dinheiro. Juntamente com os Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá e Holanda têm carregado quase todo o fardo. O novo presidente americano é tratado como um astro do rock na Europa e precisa usar isso para conseguir o apoio dos demais líderes. 

O maior desafio de Obama será tentar descobrir como persuadir o Paquistão que a luta contra o extremismo não é a favor dos americanos, mas sim essencial para a sobrevivência do seu próprio país.

O país que possui armas nucleares enfrenta problemas assustadores: instabilidade política e econômica, extremistas locais que estão confortáveis demais com os serviços de inteligência do país, uma região de fronteira fora da lei usada pelo Taleban para executar ataques sangrentos ao Afeganistão. Esta semana o governo efetivamente cedeu a região do vale de Swat (na região da fronteira a apenas 161 quilômetros de Islamabade) aos militantes em uma mal pensada troca por uma falsa paz.

A decisão da Casa Branca de reunir oficiais sênior paquistaneses e oficiais afegãos para um debate de políticas (eles visitarão Washington na próxima semana) é muito bem-vinda. A Arábia Saudita, Irã e Índia também precisam ser envolvidos.

Obama irá à Europa na primeira semana de abril para uma cúpula da Otan. Ele pediu que seus assessores tenham uma estratégia para o Afeganistão e o Paquistão até a data. Considerando a rapidez com que as coisas estão se desfazendo no Afeganistão (o Taleban agora chegou a áreas pacíficas perto de Cabul) eles podem ter que agir com mais rapidez.

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