Editorial: Presidente Obama enfrenta desafios com a Rússia

O vice-presidente Joe Biden disse à conferência de segurança no sábado que é chegado o momento de restaurar e revisitar muitas áreas nas quais os Estados Unidos e a Rússia podem trabalhar em conjunto. No domingo, o quase nunca conciliatório vice-primeiro-ministro russo, Sergei Ivanov, abraçou a abertura.

The New York Times |

É tranquilizador que Washington e Moscou falem em cooperação. Com certeza ainda há muito neste relacionamento que precisa de ajustes, começando pela reenergização dos debates para o desarmamento nuclear. Mas restaurar as relações não significa absorver o Kremlin de Vladimir Putin de sua maneira autoritária.

O presidente George W. Bush passou anos olhado para o outro lado enquanto Putin molestava oponentes, impedia a liberdade de imprensa e tiranizava os vizinhos da Rússia. Enquanto estava ocupado olhando nos olhos de Putin, Bush também ignorou a lista de queixas da Rússia (muitas ilegítimas, mas nem todas).

O presidente Barack Obama precisa reparar ambos os erros. Os russos lhe deram na semana passada um sinal justo de como o relacionamento entre os países pode ser difícil. Apenas alguns dias antes de Biden falar, o Kremlin "encorajou" a antiga república soviética do Quirguistão (com uma promessa de US$2.15 bilhões em ajudas e empréstimos) a avisar que irá fechar a base militar americana que fornece forças ao Afeganistão.

O controle de armas pode ser a mais promissora área de progresso inicial. O tratado de Moscou de 2002, o único acordo de Bush, permite que cada país tenha entre 1,700 e 2,200 armas nucleares de longo alcance. Este número pode facilmente cair para 1,000 armas cada. Um acordo imediato também daria sinais importantes à Coreia do Sul, Irã e outros países fora da lei.

Esta gestão também começou a dar sinais de que pode estar aberta a alguns acordos a respeito do sistema de defesa de Bush, planejado para a Polônia e a República Tcheca. No entanto, estamos céticos em relação a esta tecnologia estar pronta para uso. Também estamos céticos em relação à insistência russa de que o sistema apresenta uma ameaça a sua segurança. Um diálogo saudável sobre o assunto é claramente necessário.

O Kremlin se ofereceu para assistir à Otan com o Afeganistão, o principal desafio de segurança de Obama. Isso certamente deve ser testado. Mas se Washington aprendeu uma lição, é que precisa ter múltiplas opções de suprimento de guerra (e a Rússia tem o seu controle).

A gestão também terá que testar se Moscou irá fazer mais para ajudar a acabar com o programa nuclear do Irã. Isso, também, é de interesse estratégico da Rússia, ainda que o Kremlin não tenha percebido isso.

Até então Obama tem se mantido quieto em relação às últimas tentativas da Rússia de tiranizar seus vizinhos, mas ele terá que encontrar sua voz. Depois da guerra na Geórgia no ano passado, a Rússia desafiou leis internacionais ao reconhecer a independência de Abkházia e Ossétia do Sul.

Recentemente o país foi além e anunciou planos de estabelecer bases nos locais (ao invés de baixar o número de suas tropas ao existente antes da guerra, como prometido. Ainda que a disputa na Geórgia possa não se resolver rapidamente, Moscou não deve poder pensar que o mundo aceitou sua presença indefinida em Abkházia e Ossétia do Sul.

Não temos certeza como Obama irá encontrar o equilíbrio certo entre cooperar com o Kremlin e não permitir sua postura tirana. Mas isso só pode ser a base de um relacionamento sadio.

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