Editorial: Presidente Obama deve liderar para justificar encontro do G8

As expectativas são baixas para o início da cúpula do G8, que tem sua abertura nesta quarta-feira na cidade de L¿Aquila, na Itália. Mas os problemas são urgentes, como a crise econômica mundial e o apetite nuclear iraniano. Uma reunião bem sucedida poderia impulsionar as negociações internacionais sobre o aquecimento global e reavivar promessas anteriores de ajuda a países mais pobres.

The New York Times |

No entanto, a imperdoável falta de planejamento do país sede e a fraqueza política de muitos dos líderes presentes, deixa pouco espaço para otimismo. Se esta sessão quiser justificar o tempo e esforço gastos, o presidente Barack Obama terá que liderar o grupo. Chegou a hora dele fazer uso do peso diplomático que conquistou nos últimos seis meses.

Obama precisa voltar a pressionar a Alemanha a investir mais em estímulo econômico. Na última grande cúpula, o encontro do G20, em Londres, o presidente decidiu não pressionar muito, em nome da união internacional. Três meses depois, a economia mundial ainda enfraquece e apenas um esforço conjunto de ambos os lados do Atlântico poderia dar início a uma recuperação.

Obama também precisa pressionar os outros líderes para que restrinjam perigosos impulsos protecionistas. Para fazer isso, ele deve prometer fazer o mesmo em Washington, a começar com seu próprio partido.

Ele precisará começar a usar sua influência em relação ao Irã para conseguir união contra o aventurismo nuclear que escapou do alcance de George W. Bush. A oferta de Obama de negociar com o Irã é bem-vinda, mas não é uma política completa. Ela deve ser reforçada com o firme compromisso de outras economias do G8, inclusive a Rússia, para que sejam aplicadas sanções significativas ao país caso o Irã se recuse a restringir suas ambições nucleares.

Se há uma questão na qual os Estados Unidos estão atrás dos europeus é o aquecimento global. Existe um acordo geral sobre os objetivos a longo prazo de limitação das emissões, mas a Europa corretamente pede cortes ainda maiores até 2020. Obama  deve seguir o exemplo e pressionar o Congresso para que autorize reduções maiores quando voltar para casa.

A recessão atingiu ainda mais os países mais pobres do mundo.  Felizmente, muitas nações ricas, apesar de seus próprios problemas econômicos, aumentaram seu compromisso de ajuda internacional no ano passado. Obama prometeu duplicar o orçamento de ajuda dos Estados Unidos até 2015. Mas a ajuda dos países do G8 ainda é US$ 25 bilhões menor do que os US$ 105 bilhões ao ano que devem contribuir até o próximo ano, na cotação do dólar de 2009. A cúpula desta semana deve prometer atingir este objetivo (e cada país deve anunciar uma contribuição específica para este ano e o próximo).

Tradicionalmente, o anfitrião decide o tom do encontro, seu tema e agenda. Mas o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, tem direcionado grande parte de sua energia política para lidar com acusações que estampam manchetes de jornais locais, que dizem que ele tem o costume de fazer uso de acompanhantes pagas e que foi visto entretendo mulheres menores de idade e com pouca roupa. Performance: talvez. Liderança: não.

Outros participantes têm sido menos marcantes, mas também não ajudam muito. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, tem se recusado a por em prática um estímulo necessário para a maior economia europeia. O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, que ajudou a reunir apoio para o desenvolvimento da África no encontro de 2005 sediado por seu antecessor, Tony Blair, tem errado repetidas vezes desde que assumiu o cargo e prefere manter silêncio. Taro Aso, primeiro-ministro do Japão, é igualmente impopular em seu país e sofre de um ponto de vista nacionalista limitado, mesmo para os padrões japoneses.

O primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, lidera um governo fraco de minoria. O presidente Dmitri Medvedev da Rússia trabalha à sombra de seu mentor e primeiro-ministro, Vladimir Putin (que não acredita em cooperação internacional). O presidente Nicolas Sarkozy da França é politicamente forte em casa, mas depois de dois anos no poder não parece ter uma agenda internacional coerente.

Cada país representado em LAquila tem um interesse claro na recuperação rápida e forte da economia, no fim das ambições nucleares do Irã, no desaceleramento do aquecimento global e na ajuda para que os países mais pobres prosperem. Cabe a Obama encorajá-los.

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