Editorial: Presidente Obama assume liderança da reforma do sistema de saúde

Para um homem que fez da reforma do sistema de saúde sua principal prioridade doméstica, o presidente Barack Obama permaneceu apenas no banco de reservas durante uma longa e difícil primavera e um verão politicamente aquecido demais. Ele deixou principalmente nas mãos do Congresso a resolução dos detalhes da reforma e esperou em vão pelo surgimento de um acordo bipartidário - uma impossibilidade desde o começo dada a determinação de republicanos de alto escalão de impedir seu esforço e incapacitar sua gestão.

The New York Times |

Na noite de quarta-feira, abalado com ataques raivosos e mal informados em reuniões municipais e preocupado com a queda contínua de seu índice de aprovação, o presidente finalmente encontrou sua voz. Seu discurso em uma sessão conjunta do Congresso foi retoricamente poderoso em sua insistência de que a reforma tem que finalmente acontecer  - para o bem da saúde dos americanos e da economia do país. Esperamos que tenha sido apenas o começo de uma campanha contínua para conseguir a aprovação desta legislação essencial.


Observado pelo vice Joe Biden, Obama discursa ao Congresso / AFP

Obama fez bem em revelar suas exigências para uma reforma significativa. Ele se posicionou a favor da importância de que todos tenham assistência médica e de exigir que negócios ofereçam ou paguem pelas despesas médicas de seus trabalhadores. Esta medida é crítica para assegurar o preparo contra riscos de maneira justa entre uma quantidade suficiente de pessoas saudáveis e não saudáveis.

O presidente disse que o plano que está propondo custaria cerca de US$ 900 bilhões ao longo de 10 anos, principalmente para ampliar a cobertura do Medicaid aos pobres e oferecer subsídios para americanos de baixa e média renda para que comprem planos de saúde sob novos esquemas.

Obama não chegou a dizer quão generosos seriam os subsídios e quem poderia recebê-los. Se os americanos tiverem que comprar planos de saúde e muitos descobrirem que não tem como arcar com o custo, a resposta política pode ser negativa. Seus US$ 900 bilhões podem não ser suficientes para cobrir números significativos de não segurados. O Congresso deveria aumentar o valor.

Igualmente importante, Obama prometeu que seu plano não aumentará o enorme déficit da nação, agora ou no futuro. Ele disse que qualquer legislação terá que incluir uma provisão que exige cortes de gasto adicionais caso a reforma não atinja as economias esperadas.

Obama também tem razão quando diz que o aumento inexorável no custo dos planos Medicare e Medicaid está incapacitando a economia do país. Mas os americanos precisam ouvir muito mais dele e do Congresso a respeito de como irão lidar com o problema. Qualquer um que se oponha à reforma terá que responder à mesma questão. Obama mostrou argumentos fortes a favor da criação de um novo plano de saúde público para competir com planos privados.

Ele tem razão que todos os americanos se beneficiarão se as companhias de planos de saúde tiverem mais concorrência, mas ele não chegou a declarar o plano de saúde público como uma necessidade. Pode não ser, mas é muito cedo para se abandonar a ideia. Ele deveria abandoná-la apenas em troca de um significativo apoio político - e deveria exigir uma nova maneira de ressuscitá-lo caso planos privados não contenham planos de preço mais acessível.

O presidente teve razão em enfatizar que a reforma é essencial não apenas para os americanos que não têm plano de saúde mas para todos - muitos de nós são estão a apenas uma demissão ou uma mudança de trabalho ou um divórcio ou uma doença de perder sua cobertura. Ele disse que seu plano tornaria ilegal que companhias de seguros neguem cobertura ou recusem sua renovação por motivos de saúde preexistentes e limitaria quanto as pessoas podem ser cobradas por gastos excedentes.

Acreditamos que Obama esteve passivo demais (em nome de um bipartidarismo impossível) enquanto seus oponentes distorciam o debate sobre o sistema de saúde. Foi encorajador vê-lo rejeitar estas distorções - especialmente a acusação absurda de que está abrindo a porta para os "painéis da morte"- como mentiras.


Obama discursa para sessão conjunta do Congresso dos EUA / AP

E ele finalmente fez uma advertência: "Eu não irei perder tempo com aqueles que acham que é melhor matar este plano do que melhorá-lo". Ele deve manter este compromisso.

Tendo deixado seus oponentes emoldurarem o debate por tempo demais, Obama precisará fazer mais que falar. Ele precisa torcer braços entre os democratas tímidos do Congresso para conseguir aprovar um forte projeto de lei, provavelmente com pouco apoio dos republicanos.

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