Editorial - Presidente do Sudão é acusado de genocídio

A verdade pode ser difícil, mas isso não a torna menos verdadeira. Por isso apoiamos a decisão do promotor da Corte Internacional em acusar de genocídio o presidente do Sudão, Omar Hassan al-Bashir, por seu papel de articulador dos horrores em Darfur.

The New York Times |

Há preocupação legítima que o governo do Sudão possa descontar sua raiva (mais do que já fez) nos trabalhadores beneficentes, agentes da ONU e pessoas de Darfur. Mas o promotor, Luis Moreno-Ocampo, cumpriu sua responsabilidade internacional.

Isso é mais do que se pode dizer do Conselho de Segurança da ONU, que permaneceu inconscientemente passivo durante os incêndios em vilas, bombardeios de escolas e o estupro sistemático de mulheres em Darfur. Espera-se que finalmente tome uma atitude.

Moreno-Ocampo pediu que o painel de três juízes da corte emita um mandado de prisão para Bashir. Ele disse ter fortes evidências que provam que Bashir "controlou tudo (os generais, as informações sigilosas, os ministros e a mídia)", além de ter dado ordens diretamente à milícia assassina janjaweed.

Infelizmente, Bashir não será preso tão cedo. Mas ele deve se lembrar do destino de dois líderes assassinos: Slobodan Milosevic, da Sérvia, e Charles Taylor, da Libéria, que eventualmente foram detidos em Hague.

AP

Presidente do Sudão, Omar al Bashir, acusado
de articular horrores em Darfur

O Conselho de Segurança apenas alertou o Sudão. A China (que tem grande interesse petrolífero no país e aumentou a quantidade de armas vendidas ao regime) usou seu poder de veto para impedir penalidades mais significativas, permitindo um aumento na brutalidade.

Enquanto os juízes da corte tentam decidir se devem emitir um mandado de prisão, o Conselho de Segurança precisa usar esse tempo e essa ameaça para pressionar Bashir. Ele precisa impedir as ações de milícias, parar de obstruir o posicionamento de uma força de paz em Darfur e dar início a uma séria negociação de paz no país. Caso Bashir decida cooperar, o Conselho de Segurança da ONU pode suspender o processo.

A gestão Bush há muito acusa Bashir e seu governo de genocídio e impôs suas próprias sanções. Ainda poderia fazer muito mais para levar o Conselho de Segurança a uma ação e pressionar diretamente o Sudão. Washington poderia começar hoje ao prejudicar o sistema de comunicação oficial do Sudão. Caso o Conselho de Segurança não imponha uma zona livre de vôo (para manter no chão os aviões e helicópteros que Khartoum usa para atacar civis e enviar equipamento às milicias) Washington deve se voltar à Otan.

Bashir (e qualquer outro que queira agir como ele) precisa saber que existe um preço por seus genocídios e que, eventualmente, não há onde se esconder.

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