Editorial: Presidente Barack Obama

Não houve falta de imagens poderosas no dia da posse de Barack Obama, a começar pelo homem confiante que desafiou todas as convenções políticas (de que era novo demais, inexperiente demais, negro demais ou não negro o suficiente) para se posicionar na escadaria do Capitólio e fazer seu juramento em uma cidade e um país ainda tão racialmente divididos.

The New York Times |

E a multidão que por um dia, e esperamos que por muito mais tempo, desafiou estas divisões. Centenas e milhares vieram de todos os cantos de uma nação que raramente se viu em tamanho perigo e ainda assim esteve tão otimista a respeito de seu novo líder.

Em seu discurso de posse, o presidente Obama lhes deu a clareza e o respeito que todos os americanos precisavam. Em cerca de 20 minutos eles tirou do caminho os oito anos de escolhas falsas e políticas falhas do presidente George W. Bush e prometeu se comprometer com os ideais mais valorizados pela América.

Com Bush observando (e gostaríamos de pensar que sentindo algum remorso), Obama declarou: "Neste dia, nos reunimos porque escolhemos a esperança e não o medo, a união de propósitos e não o conflito e a discórdia. Neste dia, proclamamos o fim de queixas mesquinhas e promessas falsas, as recriminações e dogmas desgastados que por tempo demais tomaram conta de nossa política".

O discurso não foi ofereceu um programa, tampouco esteve cheio de linguagem elevada como o primeiro discurso de posse de Franklin D. Roosevelt ou o único de John F. Kennedy. Mas não deixou dúvida de como Obama vê os problemas do país e como pretende consertá-los e, ao contrário de Bush, os sacrifícios necessários que pedirá a todos americanos.


Obama e a mulher Michelle durante a cerimônia da terça-feira / AP

A história americana "não foi um caminho para os de coração fraco, para aqueles que preferem o lazer no lugar do trabalho, ou buscam apenas os prazeres da riqueza e fama", ele disse.

Assim como remodelou o Partido Democrata para conseguir sua indicação e o eleitorado americano para derrotar John McCain, Obama disse que pretende remodelar o governo para que sirva unicamente a seus cidadãos.

"A pergunta que fazemos hoje não é se o nosso governo é grande mais ou pequeno demais, mas se ele funciona, se ajuda famílias a encontrarem trabalho com um salário decente, atendimento médico que possam pagar, uma aposentadoria que seja digna", ele disse.

Obama foi inclemente ao condenar a ideologia fracassada de mercados descontrolados. Ele disse que a atual crise econômica mostrou como "sem um olho observador, o mercado pode sair de controle" e que a nação tem que estender o alcance da prosperidade a "todo coração disposto, não por caridade, mas porque é o caminho mais seguro para o bem comum".

Obama também não fugiu do criticismo precoce feito a seu ambicioso plano de recuperação econômica. Ao invés disso, ele disse que a "situação de nossa economia pede uma ação ousada e ágil", para a construção de estradas e pontes e usinas elétricas e redes digitais, para transformar escolas e "cultivar o sol e os ventos e o solo para alimentar nossos carros e fazer funcionar nossas fábricas".

Depois de mais de sete anos de Bush usando o medo e a xenofobia para justificar uma guerra desastrosa e desnecessária, além de prejudicar os direitos mais fundamentais dos americanos, foi eufórico ouvir Obama rejeitar "como falsa a escolha entre nossa segurança e nossos ideais".

Ao invés do unilateralismo de Bush, Obama disse que os Estados Unidos estão "prontos para liderar novamente", fazendo de si mesmos "amigos de todas as nações e cada homem, mulher ou criança que busque um futuro de paz e dignidade". Ele disse que "nosso poder sozinho não pode nos proteger, tampouco nos dá o direito de fazer o que bem entendemos". Obama disse ao mundo muçulmano que quer "novas maneiras de seguir adiante, com base em interesses e respeito mútuos".

Obama foi duro com quem "busca avançar em seus objetivos induzindo o medo e assassinando inocentes". Ele os alertou que "nosso espírito é mais forte e não pode ser domado; vocês não irão durar mais do que nós e nós os derrotaremos".

Mas onde Bush pintou isso como uma batalha épica, quase bíblica, entre a América e aqueles que nos odeiam e "que odeiam a liberdade", Obama também ofereceu "estender a mão caso estejam dispostos a desarmar o punho".

Conforme o dia continuou com a parada presidencial, festas e bailes, a imagem que permaneceu conosco foi a forma como o 44º presidente conseguiu abraçar o simbolismo e pairar sobre ele. Isso nos deu esperança de que com a ajuda do presidente Obama, esta sofrida nação conseguirá se unir e consertar a si mesma.

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