Editorial - Presidente americano precisa encorajar negociações com seus inimigos

Todo mundo sabe que o presidente Bush almejava atingir o senador Barack Obama quando, na semana passada, comparou quem apoiá negociações com terroristas e radicais com pacificadores de nazistas. Mas agora sabemos o que Bush sabia então - que Israel está negociando indiretamente com a Síria, um membro proeminente da lista de nações rejeitadas por Bush - e parece que o presidente almejava atingir os dois com um ataque só.

New York Times |

Se esse é o caso, é surpreendentemente cínico comparar a liderança do Estado judeu com aqueles que ficaram de lado durante a matança nazista, e irresponsável tentar impedir que esse aliado americano busque um acordo que julga ser de seu interesse.

Mas Bush ignorou os esforços de paz entre Israel e Palestina por sete anos (antes de abrir o anêmico processo Annapolis em Novembro), e resistiu a medidas anteriores de Jerusalém e Damasco para reavivar negociações sérias, mantidas pela última vez em 2000. Ao invés disso, ele tentou isolar a Síria.

A lista de mau comportamento da Síria é longa: apoio ao Hamas e Hezbollah, interferência no Iraque; objeções ao processo de paz entre Israel e Palestina; papel suspeito no assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri; e laços cada vez maiores com o Irã. Mas Israel escolheu continuar as negociações mesmo assim, apesar de ter descoberto - e bombardeado - um suposto reator nuclear na Síria.

Há muitas razões pelas quais devemos duvidar do sucesso dessas negociações mediadas pela Turquia. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, é politicamente fraco e está sob investigação por corrupção. A Síria está mais próxima do Irã do que nunca. Muitos israelenses acreditam que o retorno do Monte Golan, tomado na guerra de 1967, os colocará em maior risco. Também há preocupação de que o foco na Síria irá distrair a atenção de Israel das negociações de paz com a Palestina.

No entanto, pode haver uma grande vantagem, a Síria pode se afastar do Irã. Nunca saberemos disso, a menos que a disposição para negociações de Damasco seja testada. Nós confiamos que Israel não aceitaria um acordo que não atinja exigências mínimas, incluindo o fim da facilitação da Síria ao Hezbollah e Hamas e sua interferência na democracia do Líbano.

Quando ataca como fez em Israel, Bush dificulta que pessoas razoáveis busquem a diplomacia. E é hipócrita. Sua administração negociou bem sucedidamente com a Líbia (antes presente na lista de terrorismo) e Coréia do Norte (ainda na lista de terrorismo) e manteve contato limitado e amplamente infrutífero com o Irã a respeito de seu apoio aos insurgentes no Iraque. Israel negocia indiretamente um cessar-fogo em Gaza com o Hamas, com a ajuda do Egito.

A postura de Bush cada vez mais prejudica os interesses dos Estados Unidos e faz com que Washington seja deixada de lado. A saber: um acordo político no Líbano nesta quarta-feira fortaleceu o Hezbollah ao lhe dar direito de veto às decisões do gabinete governamental.

Como Obama (e muitos outros), nós encorajamos a diplomacia, inclusive o contato com adversários. Se Bush não pode usar seus últimos meses na posição para fazer o mesmo, ele pode pelo menos sair do caminho.

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