Editorial: Presidência dos Estados Unidos também é questão de saúde

Num momento em que os candidatos presidenciais estão gastando milhares de dólares para inundar as casas dos eleitores com informações sobre si mesmos e suas posições em relação a quase tudo, é perturbador que eles limitem o acesso aos dados sobre sua saúde.

The New York Times |

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A presidência é um cargo fisicamente exigente e imensamente estressante. Não há desculpa para o fato de ambos os candidatos não apresentarem dados médicos completos para atestar sua habilidade de liderar o país.

A falta de informação nas divulgações que os candidatos tornaram públicas foram descritas no The New York Times de segunda-feira por Lawrence K. Altman, um repórter médico. O senador John McCain divulgou muito mais informações do que seu oponente, mas sob condições tão restritas que é impossível saber a verdade sobre seus antigos melanomas, o tipo de câncer de pele mais perigoso que há. O senador Barack Obama ofereceu informações tão escassas que os eleitores têm que aceitar a palavra de seu comitê de que ele é saudável.

McCain permitiu que um pequeno grupo de repórteres avaliasse 1.200 páginas de registros médicos durante um período de três horas e então permitiu que alguns de seus médicos da Mayo Clinic no Arizona respondessem perguntas pelo telefone por 45 minutos. Os repórteres não puderam copiar qualquer documento, dificultando que pudessem questionar outros especialistas sobre sua situação.

A questão mais crítica gerada pelos documentos de McCain se refere a seus quatro melanomas. Os registros médicos mostram que patologistas do Exército consideraram um de seus melanomas como sendo mais severo do que seus médicos informaram. McCain sobreviveu oito anos desde que os melanomas foram removidos, mas alguns especialistas dizem que só ficarão tranquilos depois de um período de 10 anos.

Em contraste com a volumosa informação de McCain, Obama divulgou uma carta simples, sem data, na qual seu médico afirmava que ele tem "saúde excelente" e que não tem problemas médicos conhecidos que poderiam afetar sua habilidade de assumir o cargo de presidente. O comitê de Obama se recusou a disponibilizar o médico para entrevistas.

No final da semana passada, o comitê divulgou os resultados de testes de laboratório e electrocardiogramas realizados em checkups  (o mais recente em janeiro de 2007). Essa quantidade de informação é ínfima, principalmente para um candidato que começou a fumar há pelo menos duas décadas e teve dificuldades em deixar o hábito, algo que o torna suscetível ao câncer de pulmão e outras doenças ligadas ao fumo.

A candidata à vice-presidência, governadora Sarah Palin do Alasca, se recusou a fornecer registros médicos ou a ser entrevistada sobre o assunto. O senador Joseph Biden, que também concorre ao cargo e que há duas décadas foi operado de um aneurisma no cérebro possivelmente mortal, divulgou 49 páginas de registros médicos e uma carta do médico do Capitólio dizendo que ele se recuperou completamente. Não se sabe se ele foi avaliado por um neurologista recentemente. Um médico em contato com o médico do Capitólio disse que não havia necessidade de testes pois ele está bem há 20 anos.

Nenhum dos candidatos foi direto o suficiente para garantir que nenhum problema de saúde foi escondido ou menosprezado. Para eleições futuras, o Congresso deve exigir que os candidatos divulguem seus registros médicos relevantes e que estes sejam avaliados de forma independente por médicos cuja lealdade pertence ao público, não aos candidatos.

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