Editorial: Preço final das guerras permanece oculto para americanos

A tentativa da gestão Bush de esconder as perdas humanas na guerra do Iraque ficou clara numa fotografia publicada recentemente que mostra os passageiros de uma companhia aérea comercial observando pela janela do avião o inesperado desembarque de um caixão coberto com a bandeira americana. Seus rostos revelam surpresa e grave preocupação diante deste encontro com o preço final da guerra.

The New York Times |

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O Pentágono trabalha arduamente para garantir que tais momentos de  realidade sejam raros.


Durante a guerra no Vietnã, fotografia dos caixões com baixas militares eram permitidas quando os mortos chegavam em casa. Mas uma proibição foi imposta durante a guerra no Golfo em 1991 e a gestão Bush agressivamente ampliou esta decisão.

O resultado é que o retorno de mais de 4 mil americanos mortos do  Iraque e Afeganistão tem sido tratado quase como um segredo de Estado.

Imagens das cerimônias de chegada ao país são raras e ações judiciais  pela liberdade de informação estão em tramite.

Uma proposta válida que removeria este véu conquistou apoio  bipartidário na Casa. A lei exigiria que o Pentágono concedesse aos  jornalistas credenciados acesso às cerimônias, principalmente àquelas  de chegada dos caixões cobertos com bandeiras americanas na Base Aérea Dover, em Delaware.

A medida não interfere de forma alguma no direito das famílias em luto  de proibirem a cobertura do enterro em cemitérios nacionais. O criador  da lei, o representante Walter Jones, republicano da Carolina do Norte, se concentra no momento da chegada ao país com honrarias o que foi negado aos olhos da nação.

"Eu espero que qualquer um que veja um caixão com uma bandeira  americana se lembre que esta pessoa deu sua vida por este país e  respeite e reverencie este sacrifício", ele explicou este mês. O  Congresso deve aprovar esta lei.

Ainda que o debate sobre a continuidade das guerras no Iraque e  Afeganistão continue, os mortos ainda voltam para casa. A atenção e  reverência devida é o mínimo que podemos oferecer, a plena vista.

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