Editorial: Plano de resgate continua a excluir donos de imóveis

Os legisladores continuaram a rejeitar na quinta-feira o plano de resgate de US$700 para o sistema financeiro americano. O teatro político armado em Washington foi o principal responsável pelo atraso, mas a espera será válida caso os legisladores consigam incluir ajuda real aos donos de imóveis e não apenas a Wall Street.

The New York Times |

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Os problemas no sistema financeiro têm raízes na crise imobiliária, da mesma forma que os problemas dos donos de imóveis. Milhões de pessoas enfrentam a desapropriação e milhões mais veem o valor de suas propriedades cair rapidamente diante dessa situação.

Os problemas se tornaram ainda mais evidentes na noite de quinta-feira com a apreensão federal e venda do Washington Mutual ao JPMorgan Chase.

Não é aceitável que os legisladores ainda não tenham agido em defesa de uma ousada ajuda aos donos de imóveis nesse plano de resgate. O secretário do Tesouro Henry Paulson, o maior defensor do resgate de Wall Street, também é quem impede a ajuda aos proprietários. Ele quer continuar a confiar na indústria financiadora para resolver voluntariamente os empréstimos problemáticos, mesmo que essa postura não tenha conseguido evitar a onda de desapropriações (e não ajuda os contribuintes cujo dinheiro ele quer arriscar no resgate).

Muitos dos empreendimentos que Paulson quer comprar com os US$700 bilhões entraram em dificuldades porque estavam ligados a financiamentos imobiliários que não cumpriram ou irão cumprir seus deveres. A menos que os donos de imóveis recebam alguma ajuda (pequena em comparação a que Paulson quer dar aos banqueiros) uma sucessão de descumprimentos, desapropriações e a queda no preço dos imóveis irão continuar, o que pode baixar ainda mais o preço dos empreendimentos.

Poderíamos argumentar moralmente que o governo tem responsabilidade maior de ajudar os donos de imóveis do que de resgatar Wall Street. Mas não precisamos. Princípios básicos de economia pedem um plano robusto para acabar com as desapropriações e assim proteger o investimento de US$700 bilhões dos contribuintes.

Há muito Paulson se opõe ao que é possivelmente o melhor plano para ajudar os americanos a ficarem em suas casas: permitir que as cortes de falência reduzam o tamanho das hipotecas de quem está para perder um imóvel. Infelizmente, mas como era de se esperar, rascunhos do plano de resgate que circulavam na noite de quinta-feira não mencionavam essa ajuda.

O fato de apenas a hipoteca sobre a propriedade principal não poder ser renegociada na corte quando todos os outros tipos de empréstimo podem é um absurdo. A lei foi criada para proteger as financiadoras, que obviamente e de forma desastrosa abusaram dessa proteção. Sem ela, não haveriam favores nos procedimentos de falência. Os bancos teriam que aceitar menos lucros e os beneficiados se submeteriam à fiscalização da corte de falência por anos.

Mas o processo de falência significaria um número muito menor de desapropriações e isso evitaria a queda significativa nos preços dos imóveis, reduziria o número de casas vazias (e a crise que vem com elas). Além disso, essa medida não teria custos para os contribuintes.

Argumentos opostos às medidas de apoio contra a falência já foram feitos e rebatidos em audiências no Congresso e debates ao longo do último ano.

Não deveria haver mais impedimentos. Qualquer projeto de resgate precisa permitir que donos de imóveis em dificuldades consigam modificar suas hipotecas diante de cortes de falência. Paulson deve abandonar sua oposição imediatamente. Caso não faça isso, o Congresso deve insistir no resgate para donos de imóveis. O investimento de US$700 bilhões precisa ser protegido.

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