Editorial - Pequim busca controle do povo chinês através do uso de novo software

A China conseguiu coisas marcantes nos últimos 20 anos, inclusive a construção de uma das maiores economias do mundo. Os computadores ajudaram a acelerar este desenvolvimento - e serão ainda mais importantes no futuro. Por isso, a decisão de Pequim de exigir que todos computadores pessoais vendidos no país tenham um software que proíba o acesso a certos conteúdos online parece particularmente auto-destrutiva e tola.

New York Times |

A nova regra afirma que todos os PCs vendidos na China depois do dia 30 de junho precisam incluir um software especial (criado por uma companhia com elos nas agências de segurança e militares da China) para filtrar pornografia e outros materiais "vulgares. Pequim afirma que está tentando proteger as crianças. Nós não acreditamos.

Em qualquer país, tais termos tão vagos seriam uma licença assustadora para intrusão governamental. O governo da China, que teme o fluxo livre de ideias, já restringe vigorosamente a internet, inclusive através do bloqueio de sites sobre o Tibete, direitos humanos e outros assuntos politicamente sensíveis.

Blogueiros chineses, dissidentes e até mesmo algumas instituições da mídia estatal têm razão de temer que o novo software seja usado de maneira mais nefasta: para coletar dados pessoais e espionar os hábitos de consumo.

O contrato do software, enquanto isso, foi concedido sem que o setor fosse consultado. Há sérias dúvidas sobre o funcionamento do produto.

A última coisa que a China precisa é forçar a instalação de software que pode fazer com que milhões de computadores parem de funcionar. Isso alimentaria o ressentimento contra o governo, que já é acusado de grande incompetência depois da morte de milhares de crianças no desmoronamento de escolas de construção fraca no terremoto em 2008.

Fabricantes internacionais provavelmente podem forçar o governo a reverter as novas regras ameaçando não vender seus produtos. Mas eles não têm o costume de se erguer contra Pequim. Esperamos que estejam argumentando mais seriamente em particular para reverter a decisão do que foi percebido na anêmica declaração pública emitida pela coalizão da associação de comércio americana. Eles pediram um "diálogo aberto e saudável" com o governo mas pareceram aceitar a falsa alegação de que a intenção é realmente melhorar o controle dos pais.

Se Pequim não reconsiderar sua tola decisão, as novas regras entrarão em vigor em julho. Nosso conselho aos consumidores chineses: comprem seus PCs agora.

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