Editorial - Para onde os Estados Unidos devem seguir em relação ao Iraque e Afeganistão?

O surpreendente ressurgimento do Taleban no Afeganistão e Paquistão torna mais imperativo que os Estados Unidos dêem início a uma retirada ordenada e rápida do Iraque.

The New York Times |

Durante tempo demais, a desastrosa guerra do momento do presidente Bush no Iraque sugou os recursos e a atenção necessários na guerra da necessidade no Afeganistão. Uma nova estatística ressalta quão ruim as coisas estão: 46 americanos e aliados morreram no Afeganistão em junho, mais do que em qualquer mês desde que a guerra começou em 2001. Pelo segundo mês, as mortes em combate no país excederam aquelas de soldados comandados pelos Estados Unidos no Iraque, onde 31 morreram.

AP
Guerras são questionadas pela opinião pública
 O recente declínio da violência no Iraque é algo muito bem-vindo, mas ainda precisa ser alinhado a reformas políticas essenciais. Ao invés de planejar uma séria retirada de soldados americanos, a Casa Branca usa seu auto declarado sucesso como uma desculpa para permanecer no país. O sucessor de Bush certamente irá herdar um Iraque onde pelo menos 130,000 soldados americanos ainda lutam.

Até agora quase todo debate presidencial se concentrou em quando e como retirar esses soldados do país. O senador John McCain afirmou que permanecerá até que a "vitória" seja conquistada. Mas ele não explicou o que isso significa ou como pode ser conquistado, muito menos como fazer isso e simultaneamente lidar com os militantes no Afeganistão.

O senador Barack Obama está certo ao dizer que os Estados Unidos precisam sair do Iraque para que possam concluir a luta no Afeganistão. Mas depois de prometer uma retirada imediata, começando com uma ou duas tropas por mês, ele agora mudou de discurso e sugeriu que deixará os comandantes militares decidirem o ritmo da desocupação.

O que se precisa é algo muito mais sério, o debate público dos dois candidatos sobre como planejam atingir seus compromissos e garantir que o caos no Iraque não saia ainda mais do controle ou se amplie para além de suas fronteiras.

Felizmente, dois novos relatos (um do Centro da Nova Segurança Americana e outro de uma força tarefa liberal envolvendo o Instituto Commonwealth, alguns membros do Congresso e muitos estudiosos) fazem essas perguntas mais complicadas. Eles têm diferenças, especialmente no tempo da retirada, mas levam o debate à direção certa. São elas:

- Que apoio o Iraque precisa para garantir que as eleições provincianas marcadas para o final desse ano (uma oportunidade crucial para que os sunitas tenham maior representação no governo) e as eleições nacionais de 2009 sejam tão livres quanto possível?

- Que tipo de ajuda o governo do Iraque precisa para garantir que relocará os cerca de dois milhões de iraquianos exilados em diversos países e outros dois milhões que fugiram para a Síria e a Jordânia?

- O que pode ser feito para promover reformas políticas adiadas há muito tempo e encorajar a reconciliação? Deve haver uma conferência patrocinada internacionalmente a respeito disso?

- O que os Estados Unidos podem fazer para tentar persuadir os vizinhos do Iraque no Irã e Síria a promover e não prejudicar a estabilidade e soberania do país?

- Os Estados Unidos devem tentar deixar uma pequena força no país para cuidar de operações antiterrorismo ou impedir o genocídio ou relações agressivas no país?

- Washington teria mais influência (e maior chance de conseguir ajuda) se retirasse suas tropas ou se negociasse uma retirada lenta com os iraquianos?

Com duas guerras a caminho, a transição do presidente Bush para seu sucessor será mais arriscada do que qualquer outra recente. Os candidatos presidenciais precisam começar a explicar, detalhadamente, como planejam lidar com as guerras no Iraque e Afeganistão. Eles podem começar respondendo as questões listadas aqui.

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