Editorial: papa critica uso de preservativos no combate à Aids

O Papa Bento 16 tem todo direito de expressar sua oposição ao uso da camisinha com base em princípios morais, de acordo com a posição oficial da Igreja Católica Romana. Mas ele não merece crédito quando distorce descobertas científicas sobre o valor dos preservativos em diminuir a disseminação do vírus da Aids.

The New York Times |

Como relatado por jornalistas que acompanharam o Papa em seu voo à África, Bento disse que a distribuição de camisinhas não resolveria o problema da Aids mas, pelo contrário, o agravaria ou pioraria.

A primeira metade de sua declaração é claramente correta. As camisinha por si mesmas não têm como parar a disseminação do vírus HIV, o causador da Aids. Campanhas para reduzir o número de parceiros sexuais, adotar práticas de sexo seguro e outros programas são necessários para que a doença seja controlada.

Mas a segunda metade de sua declaração é absolutamente incorreta. Não há evidência de que o uso de camisinha esteja agravando a epidemia, mas sim que o preservativo pode ser útil em muitas circunstâncias.

Do ponto de vista de um indivíduo, as camisinhas funcionam bem ao prevenir a transmissão do vírus da Aids de pessoas infectadas para outras não infectadas. O Centro para o Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos cita evidência "amplas e conclusivas" de que o preservativo de latex, quando usado de forma consistente e correta, é "altamente eficiente" na prevenção heterossexual do contágio pelo vírus causador da Aids. A análise mais recente dos melhores estudos sobre o assunto, publicada pela Cochrane Collaboration, concluiu que as camisinhas podem reduzir a transmissão do vírus da Aids em até 80%.

No entanto, ambos os grupos alertaram que os preservativos não podem oferecer proteção total. As camisinhas rompem, escorregam ou são utilizadas de maneira incorreta. A melhor forma de evitar a transmissão do vírus da Aids é a abstinência sexual ou a manutenção de um relacionamento monógamo de longa duração com uma pessoa não contaminada.

De uma perspectiva nacional, a promoção da camisinha foi eficiente em desacelerar a epidemia em diversos países entre os grupos de risco, como garotas de programa e seus clientes, mas menos eficiente em diminuir epidemias que se espalharam entre a população geral, como em grande parte da África. Isso acontece provavelmente porque muitas pessoas usam o preservativo de maneira incorreta e sem consistência.

Mesmo assim, autoridades sanitárias consideram a camisinha um componente de valor em qualquer programa de prevenção contra a Aids. Parece irresponsável culpar as camisinhas por piorarem a disseminação da doença.

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