Editorial: Países ricos precisam se preparar para assumir danos colaterais de emergentes

Países em desenvolvimento geraram algumas crises financeiras ao longo dos anos, mas desta vez a culpa não é deles.

The New York Times |

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Conforme os países mais ricos gastam trilhões de dólares para resgatar seu próprio sistema financeiro dos tumultos causados por anos de excesso, eles também precisam estar preparados para oferecer bilhões de dólares aos países emergentes que não causaram a crise, mas são vítimas dela.

O mundo em desenvolvimento foi pego em meio a este aperto global, quando bancos estrangeiros tiveram que cortar suas linhas de crédito e alarmados investidores internacionais abandonaram seus mercados. O fluxo de capital privado aos mercados emergentes deve cair 30% este ano.

As exportações sofrem enquanto economias ricas desaceleram e o preço das mercadorias diminui. O envio de dinheiro de imigrantes trabalhadores (central para a saúde financeira de muitos países em desenvolvimento) está caindo rapidamente.

A Europa central e oriental, onde grande parte do sistema financeiro é controlado por instituições ocidentais, está numa situação particularmente difícil. A Ucrânia pediu US$14 bilhões ao FMI para impulsionar seu sistema financeiro diante da fuga do dinheiro. A Hungria conseguiu 5 bilhões de euros do Banco Central Europeu.

O Paquistão (possível aliado da América na luta contra a Al-Qaeda, que possui armas nucleares) precisa de US$3 ou US$4 bilhões para financiar o deficit do mercado.

Mesmo economias robustas com grandes orçamentos e amplas reservas têm oscilado diante da crise do crédito. Há duas semanas, o peso mexicano sofreu a pior queda desde a crise de dezembro de 1994. O real brasileiro e o won coreano sofreram queda de um quarto em relação ao dólar.

Dada a profundidade da crise local, pode ser tentador esquecermos das economias em desenvolvimento. Mas é do interesse dos países ricos ajudar. O FMI espera que esses países sejam o único motor de crescimento global nos próximos anos.

Felizmente, algumas pessoas pensam à frente. O International Finance Corp., um braço do Banco Mundial, ofereceu um fundo de US$3 bilhões para ajudar a recapitalizar sistemas bancários em dificuldades nos países mais pobres.

O Banco de Desenvolvimento Interamericano afirmou que irá aumentar seu empréstimo e anunciou a instituição de US$6 bilhões para ajudar companhias em países sul americanos menores que não têm acesso aos fundos.

O FMI afirmou que tem o dinheiro (US$200 bilhões mais US$50 bilhões em arranjos de crédito com países doadores) para investir quando necessário. Para isso necessitará da aprovação dos Estados Unidos e outros grandes contribuintes. O FMI também precisa estar pronto para relaxar (dentro do aceitável) as precondições que associa a suas ajudas.

Os países mais ricos do mundo tem demonstrado enorme miopia diante da crise (buscando apenas "soluções" individuais que pioraram a crise coletiva). A menos de duas semanas, Washington e Bruxelas permitiram que a Islândia chegasse à falência.

Conforme as potências financeiras do mundo lutam para conter um desastre, elas não deveriam perder de vista seu efeito sobre os outros países. Agir como cada economia por si mesma não faz sentido (e pode ser potencialmente perigoso) no mundo globalizado de hoje.

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