Editorial: Pacto de segurança no Iraque deve ser prioridade do novo governo

O mandato da ONU que permite a presença de tropas americanas no Iraque acaba no final de dezembro. Há meses, a gestão Bush e o governo do Iraque têm negociado um pacto sobre a situação das forças armadas que deve substituí-lo.

The New York Times |

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A boa notícia é que tanto Bagdá quanto os americanos (pelo menos no papel) concordam que este é o momento para se começar o planejamento da retirada de tropas. A outra boa notícia é que os iraquianos estão cada vez mais dispostos a assumir o controle de seu país.

A má notícia é que a gestão Bush combateu a ideia de uma retirada por
tanto tempo que não conseguiu fazer nada além de estabelecer uma data limite para esta retirada. A outra má notícia é que a política
doméstica do Iraque ainda é tão problemática que seus líderes não
conseguem concordar em nada além da própria retirada.

O presidente Bush abriu estas negociações há meses em busca de
autorização legal para manter as tropas americanas no Iraque pelos
próximos anos. Felizmente, os iraquianos tinham outras aspirações.

Bush agora concordou em remover as tropas americanas de áreas urbanas até junho e do país até o final de 2011, deixando apenas os
responsáveis por treinar militares e controladores de voo posicionados.

Ele também abriu mão em outra questão delicada. Os iraquianos querem
que as tropas dos Estados Unidos sejam julgadas de acordo com suas
leis, enquanto os americanos desejam imunidade total.


Soldados americanos patrulham ruas do Iraque / Getty Images

De acordo com o compromisso atual as forças americanas têm imunidade, a não ser em casos de crimes premeditados cometidos quando fora de serviço. Além disso, notícias recentes sugerem que os americanos podem estar prontos para se comprometer a não realizar ataques aos vizinhos iraquianos do solo do país.

É difícil saber se qualquer concessão será suficiente para que os
líderes iraquianos assinem o pacto. Com as eleições provincianas
marcadas para janeiro, ninguém quer parecer pró-americano demais.

Mas há sinais de que a eleição americana tenha mudado a dinâmica, com alguns iraquianos citando maior confiança que o presidente eleito
Barack Obama respeitará os termos do pacto.

Se o pacto não sair, os Estados Unidos e o Iraque devem pedir ao
Conselho de Segurança que estenda o mandato. Ou os dois países devem concordar em deixar que as forças americanas continuem a operar até que o pacto seja concluído.

O fato do processo demorar demais também é um lembrete de que não
haverá avanços sem que o Irã seja envolvido - algo que Bush resistiu
fortemente. Teerã pressionou os xiitas iraquianos para que se
opusessem a qualquer acordo com os americanos e continua a fornecer
treinamento e armas às milícias.

Obama diz que quer dar início aos diálogos com Teerã. Na semana
passada, o presidente Mahmoud Ahmadinejad do Irã enviou uma carta
parabenizando Obama pela vitória. Seria ainda mais encorajador se
Ahmadinejad desse sinais de estar disposto a trabalhar com a nova
gestão na estabilização do Iraque, ao invés de continuar a manter a
fúria sectária que ainda pode dividir o país.

Quando Obama assumir o cargo, ele precisa estar preparado não apenas para retirar as tropas americanas do Iaque. Ele também precisa de um plano sério para envolver o Irã e todos os vizinhos do Iraque (há
cerca de dois milhões de refugiados iraquianos na Síria e Jordânia) em
um diálogo de segurança. Isso será essencial para garantir que os
problemas iraquianos não ultrapassem suas fronteiras.

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